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domingo, 6 de fevereiro de 2011


A FALSA MENDIGA


Zezélia pedia esmolas, havia muitos anos.

Não era tão doente que não pudesse trabalhar, produzindo algo de útil, mas não se animava a enfrentar qualquer disciplina de serviço.

- Esmola pelo amor de Deus! – clamava o dia inteiro, dirigindo-se aos transeuntes, sentada à porta de imundo telheiro.

De quando em quando, pessoas amigas, depois de lhe darem um níquel, aconselhavam:

- Zezélia, você não poderia plantar algum milho?

- Não posso... - respondia logo.

- Zezélia, quem sabe poderia beneficiar alguns quilos de café?

- Quem sou eu, meu filho? Não tenho forças...

- Não desejaria lavar roupa e ganhar algum dinheiro? – indagavam damas bondosas.

- Nem pensar nisto. Não agüento...

- Zezélia, vamos vender flores! – convidavam algumas jovens que se compadeciam dela.

- Não posso andar, minhas filhas!... – exclamava, suspirando.

- E o bordado, Zezélia? – interrogava a vizinha, prestativa – você tem as mãos livres. A agulha é uma boa companheira. Quem sabe poderá ajudar-nos? Receberá compensadora remuneração.

- Não tenho os dedos seguros – informava, teimosa – e falta-me suficiente energia... Não posso minha senhora...

E, assim, Zezélia vivia prostrada, sem ânimo, sem alegria.

Afirmava sentir dores por toda parte do corpo. Dava notícias da tosse, da tonteira e do resfriado com longas palavras que raras pessoas dispunham de tempo para ouvir. Além das lamentações contínuas, clamava que não bebia café por falta de açúcar, que não almoçara por não dispor de alimentação.

Tanto pediu, chorou e queixou Zezélia que, em certa manhã, foi encontrada morta e a caridade pública enterrou-lhe o corpo com muita piedade.

Todos os vizinhos e conhecidos julgaram que a alma de Zezélia fora diretamente para o Céu; entretanto, não foi assim.

Ela acordou em meio dum campo muito escuro e muito frio.

Achava-se sem ninguém e gritou, aflita pelo socorro de Deus.

Depois de muito tempo, um anjo apareceu e disse-lhe, bondoso:

- Zezélia, que deseja você?

- Ah! – observou, muito vaidosa – já sou conhecida na Casa Celestial?

- Há muito tempo – informou o emissário, compadecido.

A velha começou a chorar e rogou em pranto:

- Tenho sofrido muito!... quero o amparo do Alto!...

- Mas, ouça! – esclareceu o mensageiro – o auxílio divino é para quem trabalha. Quem não planta, nada tem a colher. Você não cavou a terra, não cuidou das plantas, não ajudou os animais, não fiou o algodão, não teceu fios, não fez pão, não lavou roupa, não varreu a casa, não cuidou das flores, não tratou nem mesmo de sua saúde e de seu corpo... Como pretende receber as bênçãos de Cima?

A infeliz observou, então:

- Não podia fazer... eu era mendiga...

O anjo, contundo, replicou:

- Não, Zezélia! – você não era mendiga. Você foi simplesmente preguiçosa. Quando aprender a trabalhar, chame por nós e receberá o socorro celeste.

Cerrou-se-lhe aos olhos o horizonte de luz e, às escuras, Zezélia voltou para a Terra, a fim de renovar-se.


Livro: Alvorada Cristã – Médium: Chico Xavier – Espírito: Néio Lúcio.


Fonte da imagem: Internet

8 comentários:

  1. Maravilhosas verdades estas...excelente texto, um alerta que nos mostra que trabalho é benção divina.
    Sempre digo que trabalho é cura, é libertação de corpo e de alma, trabalhar é muito benéfico, por mais que seja uma tarefa aparentemente simples, tudo o que fazemos com boa vontade e amor é digno.
    Querido Carlos tenha uma semana abençoada...beijos...
    Valéria

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  2. Oi amiga; trabalho realizado com boa vontade é uma benção e em alguns casos é terapia.
    Desejo a você uma feliz semana.
    Beijos,
    Carlos

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  3. Carlos muito linda e triste esta mensagem
    poquesabemos que como esta amiga mendigante hesistem tantos pelo mundo a fora,que preferem viver a vida como se não houvesse amanhã,,mas é
    preciso semear,plantar auxiliar,fazer-se a caridade procurar evoluirpara que quando formos ao encontro da vida espiritual possamos,andar na luz com alegria,bjs ,,marlene

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  4. Carlos. Que história!!! É uma verdadeira aula de como proceder... e que nos mostra claramente que o nosso futuro depende de nossas ações do presente. Grande abraço.

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  5. Amiga Marlene; realmente não podemos perder tempo na preguiça, porém se assim procedermos, sempre haverá uma nova oportunidade de reajuste.
    Felicidades,
    Carlos

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  6. Oi amiga querida; esta história é um grande ensinamento.
    Grande abraço,
    Carlos

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  7. Carlos,
    Oiee..ontem fui comprar alguns livros, p/ ler agora nas minhas férias, encontrei este: Uma Razão para Viver de Richard Simonetti; começei a ler ontem mesmo estou gostando, vc conhece esse livro?
    Tenho que agradecer pelos e-mails que tenho recebido são lindos, fonte de Fé e otimismo.
    Carlos o texto acima, me faz pensar no meu trabalho atual...sinto que preciso reagir sair de lá mas por alguma motivo não tenho forças p/ tomar decisões...fico insegura. Esse texto me fez ver claramente que não devemos ficar parados é preciso agir, confiar em DEUS.
    Tenha um ótima semana.
    Abraços fraternos (*_*)

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  8. Oi Juliana querida; todos os livros do Richard Simonetti são execelentes.
    Ju, temos que que ter fé, coragem e prudência em nossas ações.
    Que você tenha uma semana linda.
    Beijos,
    Carlos

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