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quarta-feira, 11 de maio de 2011

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO


Cap. 13 – Que a Mão Esquerda Não Saiba o Que Faz a Direita


A Piedade


Michel - Bordeaux, 1862


17 – A piedade é a virtude que mais vos aproxima dos anjos. É a irmã de caridade que vos conduz para Deus. Ah!, deixai vosso coração enternecer-se, diante das misérias e dos sofrimentos de vossos semelhantes. Vossas lágrimas são um bálsamo que derramais nas suas feridas. E quando, tocados por uma doce simpatia, conseguis restituir-lhes a esperança e a resignação, que ventura experimentais! É verdade que essa ventura tem um certo amargor, porque surge ao lado da desgraça; mas se não apresenta o forte sabor dos gozos mundanos, também não traz as pungentes decepções do vazio deixado por estes; pelo contrário, tem uma penetrante suavidade, que encanta a alma.


A piedade, quando profundamente sentida, é amor: o amor é devotamento, é o olvido de si mesmo; e esse olvido, essa abnegação pelos infelizes, é a virtude por excelência, aquela mesma que o divino Messias praticou em toda a sua vida, e ensinou na sua doutrina tão santa e sublime. Quando essa doutrina for devolvida à sua pureza primitiva, quando for admitida por todos os povos, ela tornará a Terra feliz, fazendo reinar na sua face a concórdia, a paz e o amor.


O sentimento mais apropriado a vos fazer progredir, domando vosso egoísmo e vosso orgulho, aquele que dispõe vossa alma à humildade, à beneficência e ao amor do próximo, é a piedade, essa piedade que vos comove até as fibras mais íntimas, diante do sofrimento de vossos irmãos, que vos leva a estender-lhes a mão caridosa e vos arranca lágrimas de simpatia. Jamais sufoqueis, portanto, em vossos corações, essa emoção celeste, nem façais como esses endurecidos egoístas que fogem dos aflitos, para que a visão de suas misérias não lhes perturbe por um instante a feliz existência.


Temei ficar indiferente, quando puderdes ser úteis! A tranqüilidade conseguida ao preço de uma indiferença culposa é a tranqüilidade do Mar Morto, que oculta na profundeza de suas águas a lama fétida e a corrupção.


Quanto a piedade está longe, entretanto, de produzir a perturbação e o aborrecimento de que se arreceia o egoísta! Não há dúvida que a alma experimenta, ao contato da desgraça alheia, confrangendo-se, um estremecimento natural e profundo, que faz vibrar todo o vosso ser e vos afeta penosamente.


Mas a compensação é grande, quando conseguis devolver a coragem e a esperança a um irmão infeliz, que se comove ao aperto da mão amiga, e cujo olhar, ao mesmo tempo umedecido de emoção e recolhimento, se volta com doçura para vós, antes de se elevar ao céu, agradecendo por lhe haver enviado um consolador, um amparo.


A piedade é melancólica, mas celeste precursora da caridade, esta primeira entre as virtudes, de que ela é irmã, e cujos benefícios prepara e enobrece.

Um comentário:

  1. Amigo Carlos:

    Amiúde tenho visitado este seu blog sensacional, embora não venha registrando comentários. Hoje, no entanto, não pude conter as lágrimas ao ler o trecho do Evangelho que vc nos oferece: piedade e caridade, irmãs... Sinto-as assim também. Contudo, às vezes me pergunto o quê fazer quando a pessoa à qual desejo estender a mão amiga não admite que lhe faria muito bem receber o aperto afetuoso e sincero que sinto tal pessoa precisar...

    Hoje estive com uma pessoa assim... Não pude ser direta por uma série de circunstâncias, mas tentei estender minha mão amiga porque (1) percebi no semblante da irmã o quão chateada estava; e (2) tive forte intuição sobre a tristeza dessa irmã e até sobre o motivo. Orei em silêncio apenas (eu já vinha orando desde que tivera a intuição, e esta, a intuição, ficou mais forte ainda perante o semblante da irmã!). Sei que eu podia fazer muito por ela, mas, com a negação dela, afirmando que tudo estava bem, fiquei sem saber como ajudá-la. Foi nesse momento que orei em silêncio.

    Carlos, se puder, responda, por obséquio: há algo mais que posso fazer por essa pessoa? Será que minha oração ajuda? Considero-me tão pequena em termos morais... Erro tanto, tanto, tanto... Não me acho merecedora de graças quando oro e as peço para mim. Portanto, não sei se pessoa tão errada - e fracassada - como eu pode realmente ter suas preces atendidas quando dirigidas a um semelhante. Tenho medo de piorar a situação desse semelhante.

    Vc acha, Carlos, que pessoa ainda tão egoísta e errada como eu pode fazer um benefício a outrem por intermédio da prece?

    Obrigada por me "ouvir". Se puder responder, ok! E se não puder (falta de tempo e outras circunstâncias da vida), igualmente ok. Entendo perfeitamente. E só de ter podido compartilhar essa minha dúvida com vc, neste espaço, já me sinto melhor.

    Receba o meu abraço fraterno.

    Monica Derito (GN)

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