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domingo, 15 de janeiro de 2012

O FILHO OCIOSO


Reportava-se a pequena assembléia a variados problemas da fé em Deus, quando Jesus, tomando a palavra, narrou, complacente: — Um grande Soberano possuía vastos domínios.


Terras, rios, fazendas, pomares e rebanhos eram incontáveis em seu reino prodigioso.


Vassalos inúmeros serviam-lhe a casa, em todas as direções.


Alguns deles nunca se perdiam dos olhos do Senhor, de maneira absoluta.


De tempos a tempos, visitavam-lhe a residência, ofereciam-lhe préstimos ou traziam-lhe flores de ternura, recebendo novos roteiros de trabalho edificante.


Outros, porém, viviam a bel-prazer nas florestas imensas.


Estimavam a liberdade plena com declarada indisciplina.


Eram verdadeiros perturbadores do vasto império, porquanto, ao invés de ajudarem a Natureza, desprezavam- na sem comiseração.


Matavam animais pelo simples gosto da caça, envenenavam as águas para assassinarem os peixes em massa, perseguiam as aves ou queimavam as plantações dos servos fiéis, não obstante saberem, no íntimo, que deviam obediência ao Poderoso Senhor.


Um desses servidores levianos e ociosos não regateava sua crença na existência e na bondade do Rei.


Depois de longas aventuras na mata, exterminando aves indefesas, quando o estômago jazia farto, costumava comentar a fé que depositava no rico Proprietário de extenso e valioso domínio.


Um Soberano tão previdente quanto aquele que soubera dispor das águas e das terras, das árvores e dos rebanhos, devia ser muito sábio e justiceiro — explanava consciente.


Sutilmente, todavia, escapava-lhe a todos os decretos.


Pretendia viver a seu modo, sem qualquer imposição, mesmo daquele que lhe confiara o vale em que consumia a existência regalada e feliz.


Decorridos muitos anos, quando as suas mãos já não conseguiam erguer a menor das armas para perturbar a Natureza, quando os olhos embaciados não mais enxergavam a paisagem com a mesma clareza da juventude, inclinando-se-lhe o corpo, cansado e triste, para o solo, resolveu procurar o Senhor, a fim de pedir-lhe proteção e arrimo.


Atravessou lindos campos, nos quais os servos leais, operosos e felizes, cultivavam o chão da propriedade imensa e chegou ao iluminado domicílio do Soberano.


Experimentando aflitivo assombro, reparou que os guardas do limiar não lhe permitiam o suspirado ingresso, porque seu nome não constava no livro de servidores ativos.


Implorou, rogou, gemeu; no entanto, uma das sentinelas lhe observou:


— O tempo disponível do Rei é consagrado aos cooperadores.


— Como assim? — bradou o trabalhador imprevidente.


— Eu sempre acreditei na soberania e na bondade do nosso glorioso ordenador...


O guarda, contudo, redargüiu, sem pestanejar:


— Que te adiantava semelhante convicção, se fugiste aos decretos de nosso Soberano, gastando precioso tempo em perturbar-lhe as obras? O teu passado está vivo em tua própria condição...


Em que te servia a confiança no Senhor, se nunca vieste a Ele, trazendo um minuto de colaboração a benefício de todos? Observa-se, logo, que a tua crença era simples meio de acomodar a consciência com os próprios desvarios do coração.


E o servo, já comprometido pelos atos menos dignos, e de saúde arruinada, foi constrangido a começar toda a sua tarefa, de novo, de maneira a regenerar-se.


O Mestre calou-se, durante alguns momentos, e concluiu:


— Aqui temos a imagem de todo ocioso filho de Deus.


O homem válido e inteligente que admite a existência do Eterno Pai, que lhe conhece o poder, a justiça e a bondade, através da própria expressão física da Natureza, e que não o visita em simples oração, de quando em quando, nem lhe honra as leis com o mínimo gesto de amparo aos semelhantes, sem o mais leve traço de interesse nos propósitos do Grande Soberano, poderá retirar alguma vantagem de suas convicções inúteis e mortas?


Com essa indagação que calou nos ouvidos dos presentes, o culto evangélico da noite foi expressivamente encerrado.


Livro: Jesus no Lar, lição 37 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
Fonte da imagem: Internet Google.

4 comentários:

  1. bom dia amigo carlos,que maravilha de texto de emmanuel exortando aquele que não procura de alguma forma agradecer e servir ao criador
    assim servindo a si mesmo na evolução de seu espirito lembrando em que dia virá que vai ser questionado sobre sua atuação no plantio e na colheita da seara divina tempo não nos falta durante uma vida inteira temos o tempo de nascer crescer e produzir,Deus nos da sempre oportunidades para tal depende apenas de nós
    um abraço com muito carinho marlene

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    1. Olá querida Marlene, as estórias do Néio Lúcio são uma escola de vida.
      Felicidades,
      Carlos

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  2. Uma bela lição que cabe a todos nós, que tenhamos a sabedoria de bem utilizar nosso precioso tempo, trabalhando pelo bem de todos, pela cooperação, solidariedade,enfim, amor, pois bem sabemos que tudo o que plantamos, cedo ou tarde, colheremos e que não seja arrependimentos, mas a certeza de ter feito uma vida que valeu a pena, em que soubermos dar o nosso melhor, que amamos a todos e a tudo em demasia e incondicionalidade. Que amamos ao Criador e a a todos, vivemos em gratidão.
    Meu amigo, tenha uma feliz semana, beijos
    Valéria

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    1. Querida Valéria, sabemos que nossas atitudes são ações e terão reações, logo que possamos sempre realizar o bem para nós e para nossos semelhantes.
      Que você tenha uma linda semana.
      Beijos,
      Carlos

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