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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

PENSAMENTO DO DIA 02.09.26

“Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado; nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade”.

Autor: Charles Chaplin

Biografia: YVONNE PEREIRA

Yvonne do Amaral Pereira nasceu na antiga Vila de Santa Tereza de Valença, hoje Rio das Flores, sul do estado do Rio de Janeiro, às 6 horas da manhã. O pai, um pequeno negociante, Manoel José Pereira Filho e a mãe Elizabeth do Amaral Pereira. Teve 5 irmãos mais moços e um mais velho, filho do primeiro casamento da mãe.

Aos 29 dias de nascida, depois de um acesso de tosse, sobreveio uma sufocação que a deixou como morta (catalepsia ou morte aparente). O fenômeno foi fruto dos muitos complexos que carregava no espírito, já que, na última existência terrestre, morrera afogada por suicídio. Durante 6 horas permaneceu nesse estado. O médico e o farmacêutico atestaram morte por sufocação. O velório foi preparado. A suposta defunta foi vestida com grinalda e vestido branco e azul. O caixãozinho branco foi encomendado. A mãe se retirou a um aposento, onde fez uma sincera e fervorosa prece a Maria de Nazaré, pedindo para que a situação fosse definida, pois, não acreditava que a filha estivesse morta. Instantes depois, a criança acorda aos prantos. Todos os preparativos foram desfeitos. O funeral foi cancelado e a vida seguiu seu curso normal.

O pai, generoso de coração, desinteressado dos bens materiais, entrou em falência por três vezes, pois favorecia os fregueses em prejuízo próprio. Mais tarde, tornou-se funcionário público, cargo que ocupou até sua desencarnação, em 1935. O lar sempre foi pobre o modesto, conheceu dificuldades inerentes ao seu estado social, o que, segundo ela, a beneficiou muito, pois bem cedo alheou-se das vaidades mundanas e compreendeu as necessidades do próximo. O exemplo de conduta dos pais teve influência capital no futuro comportamento da médium. Era comum albergar na casa pessoas necessitadas e mendigos.

Aos 4 anos já se comunicava áudio-visualmente com os espíritos, aos quais considerava pessoas normais encarnadas. Duas entidades eram particularmente caras: O espírito Charles, a quem considerava pai terreno real, devido a lembranças vivas de uma encarnação passada, em que este espírito fora seu pai carnal. Charles, o espírito elevado, foi seu orientador durante toda a sua vida e atividade mediúnica. O espírito Roberto de Canalejas, que foi médico espanhol em meados do século XIX era a outra entidade pela qual nutria um profundo afeto e com a qual tinha ligações espirituais de longa data e dívidas a saldar. Mais tarde, na vida adulta, manteria contatos mediúnicos regulares com outras entidades não menos evoluídas, como o Dr. Bezerra de Menezes, Camilo Castelo Branco, Frederic Chopin e outras.

Aos 8 anos repetiu-se o fenômeno de catalepsia, associado a desprendimento parcial. Aconteceu à noite e a visão que teve, a marcou pelo resto da vida. Em espírito, foi parar ante uma imagem do “Senhor dos Passos”, na igreja que frequentava. Pedia socorro, pois sofria muito. A imagem, então, cobrando vida, lhe dirigiu as seguintes palavras: “Vem comigo minha filha, será o único recurso que terás para suportar os sofrimentos que te esperam”, aceitou a mão que lhe era estendida, subiu os degraus e não lembra de mais nada. De fato, Yvonne Pereira foi uma criança infeliz. Vivia acossada por uma imensa saudade do ambiente familiar que tivera na sua última encarnação na Espanha e que lembrava com extraordinária clareza. Considerava seus familiares, principalmente seu pai e irmãos, como estranhos. A casa, a cidade onde morava, eram totalmente estranhas. Para ela, o pai verdadeiro era o espírito Charles e a casa, a da Espanha. Esses sentimentos desencontrados e o afloramento das faculdades mediúnicas, faziam com que tivesse comportamento considerado anormal por seus familiares. Por esse motivo, até os dez anos, passou a maior parte do tempo na casa da avó paterna.

O seu lar era espírita. Aos 8 anos teve o primeiro contato com um livro espírita. Aos 12, o pai deu-lhe de presente “O Evangelho segundo o Espiritismo” e o “Livro dos Espíritos”, que a acompanharam pelo resto da vida, sendo a sua leitura repetida, um bálsamo nas horas difíceis. Aos 13 anos começou a frequentar as sessões práticas de Espiritismo, que muito a encantavam, pois via os espíritos comunicantes. Teve como instrução escolar o curso primário. Não pode, por motivos econômicos, fazer outros cursos, o que representou uma grande provação para ela, pois amava o estudo e a leitura. Desde cedo teve que trabalhar para o seu próprio sustento, e o fez com a costura, bordado, rendas, flores, etc... A educação patriarcal que recebeu, fez com que vivesse afastada do mundo. Isto, por um lado, favoreceu o desenvolvimento e recolhimento mediúnico, mas por outro, a tornou excessivamente tímida e triste.

Como já vimos, a mediunidade apresentou-se nos primeiros dias de vida terrena, através do fenômeno de catalepsia, vindo a ser este, um fenômeno comum na sua vida a partir dos 16 anos. A maior parte das reportagens de além-túmulo, dos romances, das crônicas e contos relatados por Yvonne Pereira, foram coletados no mundo espiritual através deste processo, na hora do sono reparador. A sua mediunidade, porém, foi diversificada. Foi médium psicógrafa e receitista (Homeopatia) assistida por entidades de grande elevação, como Bezerra de Menezes, Charles, Roberto de Canalejas, Bittencourt Sampaio. Praticou a mediunidade de incorporação e passista. Possuía mediunidade de efeitos físicos, chegando a realizar algumas sessões de materialização, mas nunca sentiu atração por esta modalidade mediúnica. Os trabalhos, no campo da mediunidade, que mais gostava de fazer eram os de desdobramento, incorporação e receituário. Como foi dito, através do desdobramento noturno, (sono), que Yvonne Pereira navegava através do mundo espiritual, amparada por seus orientadores, coletando as crônicas, contos e romances com os quais hoje nos deleitamos. Como médium psicofônica, pode entrar em contato com obsessores, obsidiados, e suicidas, aos quais, devotava um carinho especial, sendo que muitos deles tornaram-se espíritos amigos. No receituário homeopático trabalhou em diversos centros espíritas de várias cidades em que morou durante os 54 anos de atividade. Foi uma médium independente, que não se submetia aos entraves burocráticos que alguns centros exercem sobre seus trabalhadores, seguia sempre a “Igreja do Alto” e com ela exercia a caridade a qualquer hora e a qualquer dia em que fosse procurada pelos sofredores.

Foi uma esperantista convicta e trabalhou arduamente na sua propaganda e difusão, através de correspondência que mantinha com outros esperantistas, tanto no Brasil, quanto no exterior. Desde muito pequena cultivou o estudo e a boa leitura. Aos 16 anos já tinha lido obras dos grandes autores como Goethe, Bernardo Guimarães, José de Alencar, Alexandre Herculano, Arthur Conan Doyle e outros. Escreveu muitos artigos publicados em jornais populares. Todos foram perdidos.

A obra mediúnica de Yvonne Pereira consta de 20 livros:

Amor e Ódio

Cânticos do Coração

O Cavaleiro de Numiers

A Derradeira Esperança

Devassando o Invisível

O Drama da Bretanha

Dramas da Obsessão

À Luz do Consolador

Maria, Mãe de Jesus

Memórias de um Suicida

Nas Telas do Infinito

Nas Voragens do Pecado

As Obsessões e o Espiritismo

Pelos Caminhos da Mediunidade Serena

Recordações da Mediunidade

Ressurreição e Vida

A Sublimação

A Tragédia de Santa Maria

Yvonne Entre Nós

O Zelo da tua Casa



Yvonne do Amaral Pereira

Nasceu no Rio de Janeiro em 24-12-1900

Desencarnou no Rio de Janeiro em 09-03-1984

Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 31.08.26

“Pessoas que são boas em arranjar desculpas raramente são boas em qualquer outra coisa”.

Autor: Benjamin Franklin

ARMAI-VOS

"Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes". - Paulo.  (EFÉSIOS, 6:13.)

O movimento da fé não proporciona consolações tão somente.

Buscar lhe as fontes sublimes para retirar apenas conforto, seria proceder à maneira das crianças que nada enxergam senão guloseimas.

É indispensável tomar as armaduras de Deus nas casas consagradas ao labor divino.

Ilógico aproximar-se o filho adulto da presença paterna com a exclusiva preocupação de receber carinho.

A mente juvenil necessita aceitar a educação construtiva que lhe é oferecida, revestindo-se de poderes benéficos, na ação incessante do bem, a fim de que os progenitores se sintam correspondidos na sua heróica dedicação.

A sede de ternura palpita em todos os seres, contudo, não se deve olvidar o trabalho que enrijece as energias comuns, a responsabilidade que define a posição justa e o esforço próprio que enobrece o caminho.

Em todos os templos do pensamento religioso elevado, o Pai está oferecendo armaduras aos seus filhos.

Os crentes, num impulso louvável, podem entregar-se naturalmente às melhores expansões afetivas, mas não se esqueçam de que o Senhor lhes oferece instrumentos espirituais para a fortaleza de que necessitam, dentro da luta redentora; somente de posse de semelhantes armaduras pode a alma resistir, nos maus dias da experiência terrestre, sustentando a serenidade própria, nos instantes dolorosos e guardando-se na couraça da firmeza de Deus.

Livro: Vinha de Luz – Lição 115 – Médium: Chico Xavier – Espirito: Emmanuel.
Imagem Meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

MENSAGEM DO DIA 28.08.26

“Jamais, em todo o mundo, o ódio acabou com o ódio; o que acaba com o ódio é o amor”.

Autor: Buda

O QUADRO NEGRO

"Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquela hora,
vos lembreis de que já vo-lo tinha dito. " - Jesus.  (JOÃO, 16:4.)

Referia-se Jesus aos próprios testemunhos, entretanto, podemos igualmente aplicar-lhe os divinos conceitos a nós mesmos, desencarnados e encarnados.

Cada discípulo terá sua hora de revelações do aproveitamento individual.

As escolas primárias não dispensam o habitual quadro-negro, destinado às demonstrações isoladas do aluno.

À frente do professor consciencioso, o aprendiz mostrará quanto lucrou, sem os recursos do plágio afetuoso, entre companheiros.

Sobre a zona escura, o giz claro definirá, fielmente, a posição firme ou insegura do estudante.

E não será isto mesmo o que se repete na escola vasta do mundo? O homem, nas lutas vulgares, poderá socorrer-se, indefinidamente, dos bons amigos.

O Pai permite semelhantes contactos para que as oportunidades de aprender se lhe tornem irrestritas; no entanto, lá vem "aquela hora" em que a criatura deve tomar o giz alvo e puro das realizações espirituais, colocando-se junto ao quadro-negro das provas edificantes.

Alguns aprendizes fracassam porque não sabem multiplicar os bens, nem dividi-los.

Ignoram como subtrair a luz das trevas, somam os conflitos e formam equações de ódio e vingança.

Esquecem-se de que Jesus salientou o amor, por máxima glória, em todas as situações do apostolado evangélico e que, mesmo na cruz, depois de receber os fatores da injúria, da perseguição, da ironia e do desprezo, somou-os na tábua do coração, extraindo a divina equação de serenidade, entendimento e perdão.

Oh! vós, que ides ao quadro-negro das atividades terrestres, abandonai o giz escuro da desesperação! Escrevei em caracteres de luz o que aprendestes do Mestre Divino! Revela o próprio valor! Lembrai-vos que instrutores benevolentes e sábios vos inspiram as mãos! Abençoai o quadro-negro que vos pede o giz de suor e lágrimas, porque junto dele podereis conquistar o curso maior!.

Livro: Vinha de Luz – Lição 114 – Médium: Chico Xavier – Espirito: Emmanuel.
Imagem Meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 26.08.26

“O dom da fala foi concedido aos homens não para que eles enganassem uns aos outros, mas sim para que expressassem seus pensamentos uns aos outros”.

Autor: Santo Agostinho

A FUGA

"E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno, nem no sábado". - Jesus.  (MATEUS, 24:20.)

A permanência nos círculos mais baixos da natureza institui para a alma um segundo modo de ser, em que a viciação se faz obsidente e imperiosa.

Para que alguém se retire de semelhantes charcos do espírito é imprescindível que fuja.

Raramente, porém, a vitima conseguirá libertar-se, sem a disciplina de si mesma.

Muita vez, é preciso violentar o próprio coração.

Somente assim demandará novos planos.

Justo, pois, recorrer à imagem do Mestre, quando se reportou ao Planeta em geral, salientando as necessidades do indivíduo.

É conveniente a todo aprendiz a fuga proveitosa da região lodacenta da vida, enquanto não chega o "inverno" ou os derradeiros recursos de tempo, recebidos para o serviço humano.

Cada homem possui, com a existência, uma série de estações e uma relação de dias, estruturadas em precioso cálculo de probabilidades.

Razoável se torna que o trabalhador aproveite a primavera da mocidade, o verão das forças físicas e o outono da reflexão, para a grande viagem do inferior para o superior; entretanto, a maioria aguarda o inverno da velhice ou do sofrimento irremediável na Terra, quando o ensejo de trabalho está findo.

As possibilidades para determinada experiência jazem esgotadas.

Não é o fim da vida, mas o termo de preciosa concessão.

E, naturalmente, o servidor descuidado, que deixou para sábado o trabalho que deveria executar na segunda-feira, será obrigado a recapitular a tarefa, sabe Deus quando!

Livro: Vinha de Luz – Lição 113 – Médium: Chico Xavier – Espirito: Emmanuel.
Imagem Meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 24.08.26

“A alma é a causa eficiente e o princípio organizador do corpo vivente”.

Autor: Aristóteles

Prece: POR COMPANHIA

Senhor, sabemos que, contigo, jamais conheceremos a solidão...

És o nosso Celeste Companheiro.

Envia-nos, porém, os Teus representantes, os amigos e irmãos que possam permanecer ao nosso lado, comungando os mesmos ideais.

Precisamos de alguém ao alcance do nosso coração - alguém que converse conosco, que nos ouça e que nos entenda...

Alguém que se some a nós e nos incentive a continuarmos lutando.

Mestre, ninguém há que substitua em nosso coração a Tua presença; compreende, porém, a nossa rogativa...

Manda-nos, em Teu nome, alguém que possa ficar em nossa companhia, até que, em definitivo, nos decidamos a estar Contigo onde estiveres!

 
Livro: Preces e Orações – Médium: Carlos A. Baccelli - Espírito: Irmão José.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 21.08.26

“Pensamos demasiadamente e sentimos muito pouco. Necessitamos mais de humildade que de máquinas. Mas de bondade e ternura que de inteligência.  Sem isso, a vida se tornará violenta e tudo se perderá”.

Autor: Charles Chaplin 

Poesia: Trabalhando

Se erraste em alguma ofensa
Sem o perdão do ofendido,
Foge às mágoas sem sentido,
Não percas tempo chorando...
Dá novo proveito às horas,
Não discutas, nem descanses,
Para sanar esses lances
Pede perdão, trabalhando...

Se alguém te armou "mau olhar"
Induzindo-te à tristeza,
Dando-te angústia e incerteza,
Apesar do gesto brando,
Recorda que, neste mundo,
É fácil achar pessoa
De alma rude e fala boa
E prossegue trabalhando...

Se alguém que amas te deixa,
Sem pensar no compromisso
De fé, amor e serviço
Vendo-te a dor aumentando
Não reclames, nem reproves;
Ascende-lhe a luz da prece,
Serve mais!... Desculpa e esquece,
Mas esquece, trabalhando...

Sobre a terra, tudo passa,
Não só o fel que te enlaça,
Outros sorvem fel na taça
Da prova em que estão lutando...
jesus nos guarda e nos guia...
alma irmã, alma sincera,
jesus também nos espera,
Mas espera trabalhando!...

Maria Dolores
Do livro: Bênçãos de Amor. Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 19.08.26

“Alguns têm coragem nos prazeres; outros, nas dores; alguns, no desejo; outros, nos medos; e alguns são covardes sob as mesmas condições”.

Autor: Sócrates

72 O Maior Mandamento

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap. 15 – Fora da Caridade Não Há Salvação

4 – Mas os fariseus, quando viram que Jesus tinha feito calar a boca aos saduceus, se ajuntaram em conselho. E um deles, que era doutor da lei, tentando-o, perguntou-lhe: Mestre, qual é o maior mandamento da lei? Jesus lhes disse: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.

Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Estes dois mandamentos contêm toda a lei e os profetas. (Mateus, XII: 34-40)
 
5 – Caridade e humildade; esta é a única via de salvação; egoísmo e orgulho, esta é a via da perdição. Esse princípio é formulado em termos precisos nestas palavras: “Amarás a Deus de toda a tua alma, e ao teu próximo como a ti mesmo; estes dois pensamentos contêm toda a lei e os profetas”. E para que não houvesse equívoco na interpretação do amor de Deus e do próximo, temos ainda: “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás a teu próximo como a ti mesmo”, significando que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar ao próximo, nem amar ao próximo sem amar a Deus, porque tudo quanto se faz contra o próximo, é contra Deus que se faz. Não se podendo amar a Deus sem praticar a caridade para com o próximo, todos os deveres do homem se encontram resumidos nesta máxima: Fora da caridade não há salvação.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 17.08.26

“Coragem é manter domínio da razão em situações limites entre o medo e o desejo”.

Autor: Pitágoras 

Estória: A SALVAÇÃO INESPERADA

Num país europeu, certa tarde, muito chuvosa, um maquinista, cheio de fé em Deus, começando a acionar a locomotiva com o trem repleto de passageiros para a longa viagem, fixou o céu escuro e repetiu, com muito sentimento, a oração dominical.

O comboio percorreu léguas e léguas, dentro das trevas densas, quando, alta noite, ele viu, à luz do farol aceso, alguns sinais que lhe pareceram feitos pela sombra de dois braços angustiados a lhe pedirem atenção e socorro.

Emocionado, fez o trem parar, de repente, e, seguido de muitos viajantes, correu pelos trilhos de ferro, procurando verificar se estavam ameaçados de algum perigo.

Depois de alguns passos, foram surpreendidos por gigantesca inundação que, invadindo a terra com violência, destruíra a ponte que o comboio deveria atravessar.

O trem fora salvo, milagrosamente.

Tomados de infinita alegria, o maquinista e os viajores procuraram a pessoa que lhes fornecera o aviso salvador, mas ninguém aparecia.

Intrigados, continuaram na busca, quando encontraram no chão um grande morcego agonizante. O enorme voador batera as asas, à frente do farol, em forma de dois braços agitados e caíra sob as engrenagens. O maquinista retirou-o com cuidado e carinho, mostrou-o aos passageiros assombrados e contou como orara, ardentemente, invocando a proteção de Deus, antes de partir. E, ali mesmo, ajoelhou-se, ante o morcego que acabava de morrer, exclamando em alta voz:

- Pai Nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha a nós o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na Terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; perdoa as nossa dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores; não nos deixes cair em tentação e livra-nos do mal, porque teu é o reino, o poder e glória para sempre. Assim seja.

Quando acabou de orar, grande quietude reinava na paisagem.

Todos os passageiros, crentes e descrentes, estavam também ajoelhados, repetindo a prece com amoroso respeito. Alguns choravam de emoção e reconhecimento, agradecendo ao Pai Celestial, que lhes salvara a vida, por intermédio de um animal que infunde tanto pavor às criaturas humanas. E até a chuva parara de cair, como se o céu silencioso estivesse igualmente acompanhando a sublime oração.

Livro: Antologia da Criança – Médium: Chico Xavier – Espírito: Meimei.

Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.
 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 14.08.26

“As boas recordações são os únicos belos astros que adornam a noite da velhice”.

Autor: Antônio Feliciano de Castilho

CIÊNCIA E TEMPERANÇA

"E à ciência, a temperança; à temperança, a paciência; à paciência, a piedade." - (II PEDRO, 1:6.)

Quem sabe precisa ser sóbrio.

Não vale saber para destruir.

Muita gente, aos primeiros contactos com a fonte do conhecimento, assume atitudes contraditórias.

Impondo ideias, golpeando aqui e acolá, semelhantes expositores do saber nada mais realizam que a perturbação.

É por isso que a ciência, em suas expressões diversas, dá mão forte a conflitos ruinosos ou inúteis em política, filosofia e religião.

Quase todos os desequilíbrios do mundo se originam da intemperança naqueles que aprenderam alguma coisa.

Não esqueçamos.

Toda ciência, desde o recanto mais humilde ao mais elevado da Terra, exige ponderação.

O homem do serviço de higiene precisa temperança, a fim de que a sua vassoura não constitua objeto de tropeço, tanto quanto o homem de governo necessita sobriedade no lançamento das leis, para não conturbar o espírito da multidão.

E não olvidemos que a temperança, para surtir o êxito desejado, não pode eximir-se à paciência, como a paciência, para bem demonstrar-se, não pode fugir à piedade, que é sempre compreensão e concurso fraternal.

Se algo sabes na vida, não te precipites a ensinar como quem tiraniza, menosprezando conquistas alheias.

Examina as situações características de cada um e procura, primeiramente, entender o irmão de luta.  Saber não é tudo.  É necessário fazer.

E para bem fazer, homem algum dispensará a calma e a serenidade, imprescindíveis ao êxito, nem desdenhará a cooperação, que é a companheira dileta do amor.

Livro: Vinha de Luz – Lição 112 – Médium: Chico Xavier – Espirito: Emmanuel.
Imagem Meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 12.08.26

“O pessimista é uma pessoa que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos”.

Autor: Oscar Wilde

Prece: POR UNIÃO

Mestre, que sejamos unidos aos nossos amigos e familiares...

Que não venhamos a ser motivo de discórdia e de dissensão.

Auxilia-nos a ceder em nossos pontos de vista conflituosos e a renunciar à ambição desmedida.

Conscientiza-nos de que a paz com aqueles que amamos diz sempre mais respeito a nós do que a eles.

Que tomemos a iniciativa da concórdia e do diálogo.

Acalma em nossos corações os sentimentos que extrapolam, impedindo-nos a boa convivência.

Não queremos ser causa de enfraquecimento moral do grupo familiar que integramos.

Livra-nos de promover qualquer intriga...

Senhor, sob pretexto algum, que não sejamos causa de divergência com ninguém!

Assim seja.


Livro: Preces e Orações – Médium: Carlos A. Baccelli - Espírito: Irmão José.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 10.08.26

“O mundo é grande o suficiente para satisfazer as necessidades de todos, mas sempre será muito pequeno para a ganância de alguns”.

Autor: Mahatma Gandhi

Estória: O PIOR INIMIGO

Um homem, admirável pelas qualidades de trabalho e pelas formosas virtudes do caráter, foi visto pelos inimigos da Humanidade que conhecemos por Ignorância, Calúnia, Maldade, Discórdia, Vaidade, Preguiça e Desânimo, os quais tramaram, entre si, agir contra ele, conduzindo-o à derrota.

O honrado trabalhador vivia feliz, entre familiares e companheiros, cultivando o campo e rendendo graças ao Senhor Supremo pelas alegrias que desfrutava no contentamento de ser útil.

A Ignorância começou a cogitar da perseguição, apresentando-o ao povo como mau observador das obrigações religiosas. Insulava-se no trato da terra, cheio de ambições desmedidas para enriquecer a custa do alheio suor. Não tinha fé, nem respeitava os bons costumes.

O lavrador ativo percebeu as notícias do adversário que operava, de longe, sorriu calmo e falou com sinceridade:

- A Ignorância está desculpada.

Surgiu, então a Calúnia e denunciou-o às autoridades por espião de interesses estranhos. Aquele homem vivia, quase sozinho, para melhor comunicar-se com vasta quadrilha de ladrões. O serviço policial tratou de minuciosas averiguações e, ao término do inquérito vexatório, a vítima afirmou sem ódio:

- A Calúnia estava enganada.

E trabalhou com dobrado valor moral.

Logo após, veio a Maldade, que o atacou de mais perto. Principiou a ofensiva, incendiando-lhe o campo. Destruiu-lhe milharais enormes, prejudicando-lhe a vinha, poluiu-lhe as fontes. Todavia, o operário incansável, reconstruindo para o futuro, respondeu sereno:

- Contra as sombras do mal, tenho a luz do bem.

Reconhecendo os perseguidores que haviam encontrado um espírito robusto na fé, instruíram a Discórdia que passou a assediá-lo dentro da própria casa. Provocações cercaram-no e amigos da véspera relegaram-no ao abandono.

O servo diligente, dessa vez, sofreu bastante, mas ergueu os olhos para o céu e falou:

- Meu Deus e meu Senhor, estou só, no entanto, continuarei agindo e servindo Teu nome. A Discórdia será por mim esquecida.

Apareceu, então, a Vaidade que o procurou nos aposentos particulares, afirmando-lhe:

- És um grande herói... Venceste aflições e batalhas! Serás apontado à multidão na auréola dos justos e dos santos!...

O trabalhador sincero repeliu-a, imperturbável:

- Sou apenas um átomo que respira. Toda glória pertence a Deus!

Ausentando-se a Vaidade com desapontamento, entrou a Preguiça e, acariciando-lhe a fronte com mãos traiçoeiras, afiançou:

- Teus sacrifícios são excessivos... Vamos ao repouso! Já perdeste as melhores forças!...

Vigilante, contundo, o interpelado replicou sem hesitar:

- Meu dever é o de servir em benefício de todos, até ao fim da luta.

Afastando-se a Preguiça vencida, o Desânimo compareceu. Não atacou de longe, nem de perto. Não se sentou na poltrona para conversar, nem lhe cochichou aos ouvidos. Entrou no coração do operoso lavrador e, depois de instalar-se lá dentro, começou a perguntar-lhe:

- Esforçar-se para quê? servir por quê? Não vê que o mundo está repleto de colaboradores mais competentes? que razão justifica tamanha luta? quem mandou nascer neste corpo? não foi a determinação do próprio Deus? não será melhor deixar tudo por conta de Deus mesmo? que espera? Sabe, acaso, o objetivo da vida? tudo é inútil... não se lembra de que a morte destruirá tudo?

O homem forte e valoroso, que triunfara de muitos combates, começou a ouvir as interrogações do Desânimo, deitou-se e passou cem anos sem levantar-se...

Livro: Alvorada Cristã – Médium: Chico Xavier – Espírito: Néio Lúcio.

Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.
 

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 07.08.26

"Quem fala menos, ouve melhor. E quem ouve melhor, aprende mais".

Autor: Chico Xavier

Poesia: O Salvador Inesperado

Era uma jovem artista, diferente...
Contava apenas quinze primaveras,
Mas atraía em muita gente
Interesse, atenção, bondade, simpatia.
Sabia interpretar mensagens de alegria
E enriquecer canções
Que o público
Aplaudia em palmas e ovações.
Mas, em casa, essa jovem
Tomava outra figura,
Parecia uma fera caprichosa!
Trazia exteriormente a beleza da rosa
E por dentro de si todo um arsenal de espinhos.

O pai, viúvo e só, notava isso
E ao ver a filha única, vaidosa,
Ele, humilde operário, agarrado ao serviço,
Começou a beber, buscando o esquecimento;
Lamentava a viuvez, a dor, o desalento...

E, ao estragar-se, um dia,
Ouviu a filha, em dura rebeldia,
A expulsá-lo do lar:
- Vá-se embora daqui - disse a filha a gritar.
O senhor já não manda nesta casa,
Um pai bêbado é nódoa para mim;
A tolerância sempre chega ao fim...
O seu vício me arrasa,
Saia, saia daqui, seu lugar é na rua!...
O pobre pai mal pôde levantar-se,
Mas ergue-se, recua,
E vai cambaleando na calçada,
Enquanto a filha tranca a porta
E vai dormir mal-humorada.

Seis anos transcorreram sobre a cena;
A menina fizera-se famosa.
No circo de alto luxo, ela domina...
Parecia, um trapézio, uma estrela divina
Ou borboleta humana, bailando soberana.
Era a dona dos prêmios e era vista
Por beleza sem par e modelo de artista.

Veio uma grande noite. Aplausos. alegria.
A plateia delira e a multidão das palmas,
O número da moça é quase que magia.
Há espanto nos olhos, êxtase nas almas...
O trapézio voava, ela saltava e ria,
De corpo seminu, em leve fantasia.

Nisso ocorre um imprevisto, ante a plateia atenta,
Surge um curto-circuito e faísca violenta
Ateia fogo em cima e arrasam-se estruturas.
A jovem trapezista atrapalha-se
E agarra uma viga de amarra
Que fica nas alturas...
Ela, a estrela da equipe, a moça bela e forte,
Grita e roga socorro, ao conhecer-se
Em presença da morte.

O incêndio desata, o circo se esvazia,
A jovem grita, grita e ninguém a escuta;
A multidão de longe apenas segue
Os detalhes cruéis daquela imensa luta,
Mas um velho palhaço, um canastrão de arena,
Vara o fogo e se eleva, em corda frágil;
Eis que o povo lhe exalta a coragem serena...
Certa viga, ao cair, espanca-lhe a cabeça,
Ele, porém, não para e, ante a fumaça espessa,
Alcança a moça aflita e, tomando-a nos braços,
Desce, devagarinho,
Procurando caminho,
Nos bancos chamejantes, em pedaços...

Mas, ao depor no chão a moça linda e salva,
Ela sorri feliz...
O povo aplaude, prazenteiro,
Entretanto,
Cai exausto o truão do picadeiro,
Tomba mostrando a boca, em larga flor de sangue;
Era uma chaga só aquele corpo exangue.
Arfa-lhe o peito enorme, a morte se aproxima.
Alguém chega e o reanima;
É um velho amigo que reaparecera
E que lhe arranca a máscara de cera...
O povo se aglomera... Ante a cera que cai,
A moça empalidece,
Ajoelha-se e grita, como em prece:
- Meu deus, ele é meu pai!...

E ele nela fixando o olhar que se despede e brilha,
Num resto de calor e de ternura,
Tão-somente murmura:
- deus te guarde e abençoe
Filha do coração, meu amor, minha filha!...

Maria Dolores
Do livro: Momentos de Ouro, Médium: Francisco Cândido Xavier.

Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 05.08.26

“A porta da felicidade abre só para o exterior, quem força em sentido contrário acaba por fechá-la ainda mais”.

Autoria: Soren kierkegaard

71 Fora Da Caridade Não Há Salvação

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap. 15 - FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO

PAULO - Paris, 1860

10 – Meus filhos, na máxima: Fora da caridade não há salvação, estão contidos os destinos do homem sobre a Terra e no céu. Sobre a Terra, porque, à sombra desse estandarte, eles viverão em paz; e no céu, porque aqueles que a tiverem praticado encontrarão graça diante do Senhor. 

Esta divisa é a flama celeste, coluna luminosa que guia os homens pelo deserto da vida, para conduzi-los à Terra da Promissão. Ela brilha no céu como auréola santa na fronte dos eleitos, e na Terra está gravada no coração daqueles a quem Jesus dirá: “Passai à direita, benditos de meu Pai”. 

Podeis reconhecê-los pelo perfume de caridade que espargem ao seu redor. Nada exprime melhor o pensamento de Jesus, nada melhor resume os deveres do homem, do que esta máxima de ordem divina.

O Espiritismo não podia provar melhor a sua origem, do que a oferecendo por regra, porque ela é o reflexo do mais puro Cristianismo. Com essa orientação, o homem jamais se transviará.

Aplicai-vos, portanto, meus amigos, a compreender-lhe o sentido profundo e as conseqüências de sua aplicação, e a procurar por vós mesmos todas as maneiras de aplicá-la. 

Submetei todas as vossas ações ao controle da caridade, e a vossa consciência vos responderá: não somente ela evitará que façais o mal, mas ainda vos levará a fazer o bem. Porque não basta uma virtude negativa, é necessária uma virtude ativa. Para fazer o bem, é sempre necessária a ação da vontade, mas, para não fazer o mal, bastam freqüentemente à inércia e a negligência.

Meus amigos; agradeçam a Deus, que vos permitiu gozar a luz do Espiritismo. Não porque somente os que a possuem possam salvar-se, mas porque, ajudando-vos a melhor compreender os ensinamentos do Cristo, ela vos torna melhores cristãos. 

Fazei, pois, que vos vendo, se possa dizer que o verdadeiro espírita e o verdadeiro cristão são uma e a mesma coisa, porque todos os que praticam a caridade são discípulos de Jesus, qualquer que seja o culto a que pertençam.
Imagem meramente ilustrativa – Fonte: Internet Google.
 

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

PENSAMENTO DO DIA 03.08.26

“Saúde, felicidade e paz de espírito são determinados em grande parte pela consciência do poder do pensamento”.

Autor: Henry Ford

Biografia: PEDRO DE CAMARGO "VINÍCIUS"

Pedro de Camargo, mais conhecido por “Vinícius”, pseudônimo que ele adotou e usou por mais de cinquenta anos de trabalho contínuo e perseverante na Doutrina, foi, não há dúvida, o maior educador e evangelizador espírita dos nossos tempos. Também se dedicou, de corpo e alma, ao setor de assistência social, embora nunca deixasse de acentuar que o objetivo máximo da Terceira Revelação é iluminar as consciências, é anunciar pela palavra, e confirmar pelo exemplo, as verdades do Reino de Deus.

Na tribuna, na imprensa, no rádio e através de seus livros, o grande saber e as virtudes de Vinícius sempre estiveram presentes, esclarecendo-nos e convidando-nos à ascensão. Ao seu bondoso espírito aliava o conhecimento intelectual e intuitivo das coisas humanas e divinas, o que o fazia respeitado, e venerado mesmo, entre os companheiros de lides doutrinárias.

A começar de 1939, desenvolveu, pelas ondas hertzianas, da Rádio Educadora de São Paulo, um programa evangélico sempre ouvido com agrado e proveito por todos os interessados. Foi diretor- superintendente da primeira “estação dos espíritas” (hoje extinta), a Rádio Piratininga – PRH-3, fundada em 1940. Seus esforços a prol da Unificação do movimento espírita brasileiro foram relevantes, e ele próprio esteve lado a lado de outros confrades nas reuniões que conduziram à criação do Conselho Federativo Nacional, tendo sido aquele que, ao encerramento dos trabalhos do Pacto Áureo de 5 de outubro de 1949, proferiu, a convite do presidente da FEB, belíssima prece.

Pedro de Camargo nasceu em Piracicaba, Estado de São Paulo, no dia 7 de maio de 1878. Foram seus pais Antônio Bento de Camargo e Sebastiana do Amaral Camargo. Entre os cinco filhos do casal, três homens e duas mulheres, ele era o quarto.

Fez os seus primeiros anos de escolaridade no “Colégio Piracicabano”, educandário metodista, de fundação norte-americana. Nessa época, a diretora do estabelecimento era a missionária Martha H. Watts, de quem ele guardou sempre uma lembrança querida e uma grande admiração.

São dele as seguintes palavras extraídas de um artigo que escreveu por ocasião da morte da missionária, ocorrida nos Estados Unidos da América: “Eu bem me lembro que perto de Miss Watts ninguém era capaz de mentir ou dissimular; as traquinadas e travessuras, escondidas cautelosamente, eram-lhe fielmente narradas quando nos interpelava, tal o império que sobre nós sabia exercer, sem jamais usar para isso de outro meio que não a força do bem e o devotamento com que praticava seu sagrado sacerdócio.

Muito lhe deve a sociedade piracicabana; muito lhe devem seus ex-alunos. Cedo, perdeu o pai, e cedo começou a ganhar a vida.

Entrou para o comércio. Trabalhava com seus irmãos mais velhos. Jovem ainda, e influenciado por um amigo, resolveu estabelecer-se. Esse amigo, José Bento de Carvalho, morava em Santos e, de quando em vez, viajava para Piracicaba, a fim de colocar as suas mercadorias – secos e molhados finos. Foi dentro desse ramo que Pedro de Camargo deu início ao seu negócio.

A casa chamou-se “O Garrafão”. Teve êxito, prosperava rapidamente. Todavia, pouco tempo depois, ampliando-a deu preferência a “louças e ferragens”. Também o nome da casa foi mudado para “As Duas Ancoras”, onde trabalhou por muitos anos, e sempre nunca lhe faltou nada, nem à sua família. Amparou muita gente, e jamais alguém lhe bateu à porta que não fosse atendido e bem socorrido.

Que o digam os piracicabanos de seu tempo. Ele e José Bento de Carvalho foram sempre muito amigos – amigos do peito. Ambos bem jovens, já abraçavam com entusiasmo a religião espírita, nela tendo encontrado, afinal, explicações racionais que em vão buscaram nas demais doutrinas religiosas, inclusive no Metodismo. Casou-se em primeiras núpcias com D. Elisa Runcke, de quem enviuvou muito cedo.

Desse consórcio tiveram uma filha (já falecida) a quem deram o nome de Martha, em homenagem à querida mestra.

Em segundas núpcias casou-se com D. Messiota de Campos Pereira, de Juiz de Fora, Minas Gerais, falecida em 26 de novembro de 1952. Desse casamento deixou cinco filhos, um homem e quatro mulheres.

Viveu em Piracicaba até o ano de 1937, ali tendo dirigido a Igreja Espírita “Fora da Caridade Não Há Salvação”. Transferindo-se para a cidade de São Paulo, em 1938, nessa capital permaneceu até a data de sua desencarnação.

Pedro de Camargo educou todos os filhos no Colégio Piracicabano, que então estava sob a direção de Miss Lilá A. Stradley, com quem ele manteve boas relações de amizade. Foi procurador do Colégio por muitos anos. O Colégio Piracicabano era, na época, um dos melhores educandários do Estado de São Paulo e, até mesmo, do Brasil. Seguindo os currículos e os métodos das escolas norte-americanas, atraía para lá famílias distintas e tradicionais da Capital.

O único filho varão de Vinícius cursou em seguida a Escola Politécnica de São Paulo, e alcançou o cargo de diretor da Secção de Engenharia Nuclear do “Reator” de São Paulo. Educação esmerada receberam as filhas, todas casadas, exceto D. Ruth.

Onze netos e dois bisnetos encontraram no coração amoroso de Vinícius um segundo lar.

Por muitos anos a “Sociedade de Cultura Artística” de Piracicaba. Levou para lá os melhores artistas. Nunca se afinou bem com a política. Muito moço, ao assumir a cadeira de vereador, na Câmara Municipal de Piracicaba, eleito por indicação do Partido Republicano, disse, entre outras afirmativas, o seguinte: “Não sou político, isto é, não me comprometo absolutamente com as ideias de um partido ou com os princípios que os constituam, porque os partidos têm suas disciplinas e não desejo seguir outra disciplina que não seja a do dever e ouvir outra voz que não a da razão e da consciência”.

E – como dizia ele mais tarde – porque agi de conformidade com este critério, não me quiseram mais! Sua vida intelectual; dedicou-a ao estudo do Evangelho à luz do Espiritismo. Poucos se aprofundaram tanto no assunto. Era, de fato, um apaixonado admirador do Mestre, tanto que todas as suas obras escritas tiveram esses títulos: “Em Torno do Mestre”, “Na Seara do Mestre”, “Nas Pegadas do Mestre” e “Na Escola do Mestre”, as três primeiras publicadas pela Federação Espírita Brasileira. É ainda de sua autoria o opúsculo – “Cinquentenário de O Piracicabano”.

Foi grande orador, sempre dentro do seu tema predileto, emocionando a quantos tinham a ventura de ouvi-lo. Conselheiro da Federação Espírita do Estado de São Paulo, ali introduziu as suas apreciadíssimas Tertúlias Evangélicas, realizadas todos os domingos pela manhã, com o comparecimento de grande assistência.

Perene admirador da Casa de Ismael, sempre lhe consagrou inteiro apoio, tendo colaborado por dezenas de anos no “Reformador”, com artigos que primavam pela essência altamente doutrinária e evangélica, num estilo escorreito e, ao mesmo tempo, fluente e didático. Essa colaboração escrita, ele a estendeu a inúmeros outros órgãos da imprensa espírita brasileira.

Chegou a ser presidente da União Federativa Espírita Paulista, e durante mais de uma década foi diretor-gerente de “O Semeador”, órgão da Federação Espírita do Estado de São Paulo, fundado em 1944. Presidiu o “Instituto Espírita de Educação” até 1962, obra de grande relevância em S. Paulo. Como parte desse Instituto, surgiu em 1955 o Externato Hilário Ribeiro, elogiadíssimo por quantos o visitam. Havia alguns anos que os achaques naturais de uma idade avançada impediam-no de maiores atividades, daí porque sua colaboração escrita e falada quase desapareceu.

A última carta que ele endereçou ao presidente da FEB, Sr. A. Wantuil de Freitas, datada de 14 de Agosto de 1965, foi escrita com a ajuda do seu filho, e dizia assim num certo trecho:

“Guardo com grande carinho a fotografia da reunião de 1949. Os resultados dessa reunião, se não foram completos, foram, todavia testemunho do que já se conseguiu a respeito da unificação. “As saudades não matam, mas maltratam. Outro dia encontrei uma velha fotografia do Manuel Quintão, que veio aumentar ainda, se possível, as recordações saudosas daqueles dias. Lembrei-me do Dr. Guillon Ribeiro, do Leopoldo Cirne, do Frederico Figner e de outros companheiros. Ainda tenho a esperança de vê-lo, aqui, em São Paulo, na primeira oportunidade.

“A minha grande distração que era ler e escrever um pouco; estou impedido de fazê-lo, em virtude dessas dificuldades dos sentidos, particularmente da vista”. Às 20 horas do dia 11 de outubro de 1966, o Espírito de Vinícius passava à Pátria Espiritual. Foi-lhe dado, então, ver, olhos não mais enevoados, os companheiros a que ele se referira em sua carta, rodeados por uma multidão de criaturas que se beneficiaram com seus ensinos, todos homenageando-o pelo brilhante êxito de sua missão de evangelizador nas terras brasileiras.

Tal foi a existência de Vinícius, toda ela dedicada à causa da educação e do soerguimento moral das criaturas humanas. Daí porque, dias depois de atravessar as aduanas do Além, ele pôde transmitir bela e confortadora mensagem aos seus amigos e companheiros da Casa de Ismael, participando-lhes a sua feliz ressurreição nos planos da Vida Maior!

Imagem meramente ilustrativa - Fonte: Internet Google.