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sexta-feira, 30 de abril de 2021

VINDA DO REINO

“O reino de Deus não vem com aparência exterior.” Jesus (LUCAS, 17: 20)

Os agrupamentos religiosos no mundo permanecem, quase sempre, preocupados pelas conversões alheias. Os crentes mais entusiastas anseiam por transformar as concepções dos amigos. Em vista disso, em toda parte somos defrontados por irmãos aflitos pela dilatação do proselitismo em seus círculos de estudo.

Semelhante atividade nem sempre é útil, porquanto, em muitas ocasiões, pode perturbar elevados projetos em realização.

Afirma Jesus que o Reino de Deus não vem com aparência exterior. É sempre ruinosa a preocupação por demonstrar pompas e números vaidosamente, nos grupos da fé. Expressões transitórias de poder humano não atestam o Reino de Deus.

A realização divina começará do íntimo das criaturas, constituindo gloriosa luz do templo interno. Não surge à comum apreciação, porque a maioria dos homens transitam semi­cegos, através do túnel da carne, sepultando os erros do passado culposo.

A carne é digna e venerável, pois é vaso de purificação, recebendo-nos para o resgate preciso; entretanto, para os espíritos redimidos significa “morte” ou “transformação permanente”. O homem carnal, em vista das circunstâncias que lhe governam o esforço, pode ver somente o que está “morto” ou aquilo que “vai morrer”. O Reino de Deus, porém, divino e imortal, escapa naturalmente à visão dos humanos.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 107 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
Fonte da imagem: Internet Google.
 

quarta-feira, 28 de abril de 2021

DAR

“E dá a qualquer que te pedir; e, ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir.” Jesus (LUCAS, 6: 30)

O ato de dar é dos mais sublimes nas operações da vida; entretanto, muitos homens são displicentes e incompreensíveis na execução dele.

Alguns distribuem esmolas levianamente, outros se esquecem da vigilância, entregando seu trabalho a malfeitores.

Jesus é nosso Mestre nas ocorrências mínimas. E se ouvimo-lo recomendando estejamos prontos a dar “a qualquer” que pedir, vemo-lo atendendo a todas as criaturas do seu caminho, não de acordo com os caprichos, mas segundo as necessidades.

Concedeu bem-aventuranças aos aflitos e advertências aos vendilhões.

Certo, os mercadores de má-fé, no íntimo, rogavam-lhe a manutenção do “status quo”, mas sua resposta foi eloquente. Deu alegrias nas bodas de Caná e repreensões em assembleias dos discípulos. Proporcionou a cada situação e a cada personalidade o que necessitavam e, quando os ingratos lhe tomaram o direito da própria vida, aos olhos da Humanidade, não voltou o Cristo a pedir-lhes que o deixassem na obra começada.

Deu tudo o que se coadunava com o bem. E deu com abundância, salientando-se que, sob o peso da cruz, conferiu sublime compreensão à ignorância geral, sem reclamação de qualquer natureza, porque sabia que o ato de dar vem de Deus e nada mais sagrado que colaborar com o Pai que está nos céus.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 106 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
Fonte da imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 26 de abril de 2021

NEM TODOS

“E aconteceu que, quase oito dias depois destas palavras, tomou consigo a Pedro, a João e a Tiago, e subiu ao monte a orar.” (LUCAS, 9: 28)

Digna de notar-se a atitude do Mestre, convidando apenas Simão e os filhos de Zebedeu para presenciarem a sublime manifestação do monte, quando Moisés e outro emissário divino estariam em contato direto com Jesus, aos olhos dos discípulos.

Por que não convocou os demais companheiros?

Acaso Filipe ou André não teriam prazer na sublime revelação? Não era Tomé um companheiro indagador, ansioso por equações espirituais? No entanto, o Mestre sabia a causa de suas decisões e somente Ele poderia dosar, convenientemente, as dádivas do conhecimento superior.

O fato deve ser lembrado por quantos desejem forçar a porta do plano espiritual.

Certo, o intercâmbio com esse ou aquele núcleo de entidades do Além é possível, mas nem todos estão preparados, a um só tempo, para a recepção de responsabilidades ou benefícios.

Não se confia, imprudentemente, um aparelho de produção preciosa, cujo manejo dependa de competência prévia, ao primeiro homem que surja, tomado de bons desejos. Não se atraiçoa impunemente a ordem natural. Nem todos os aprendizes e estudiosos receberão do Além, num pronto, as grandes revelações.

Cada núcleo de atividade espiritualizante deve ser presidido pelo melhor senso de harmonia, esforço e afinidade. Nesse mister, além das boas intenções é indispensável a apresentação da ficha de bons trabalhos pessoais. E, no mundo, toda gente permanece disposta a querer isso ou aquilo, mas raríssimas criaturas se prontificam a servir e a educar-se.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 105 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
Fonte da imagem: Internet Google.
 

sexta-feira, 23 de abril de 2021

128 Olhai as Aves do Céu

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap. 25 – Buscai e Achareis

6. Não acumuleis tesouros na Terra, onde a ferrugem e os vermes os comem e onde os ladrões os desenterram e roubam; - acumulai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem os vermes os comem; - porquanto, onde está o vosso tesouro aí está também o vosso coração.
 
Eis por que vos digo: Não vos inquieteis por saber onde achareis o que comer para sustento da vossa vida, nem de onde tirareis vestes para cobrir o vosso corpo. Não é a vida mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes?
 
Observai os pássaros do céu: não semeiam, não ceifam, nada guardam em celeiros; mas, vosso Pai celestial os alimenta. Não sois muito mais do que eles? - e qual, dentre vós, o que pode, com todos os seus esforços, aumentar de um côvado a sua estatura?
 
Por que, também, vos inquietais pelo vestuário? Observai como crescem os lírios dos campos: não trabalham, nem fiam; - entretanto, eu vos declaro que nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um deles. - Ora, se Deus tem o cuidado de vestir dessa maneira a erva dos campos, que existe hoje e amanhã será lançada na fornalha, quanto maior cuidado não terá em vos vestir, ó homens de pouca fé!
 
Não vos inquieteis, pois, dizendo: Que comeremos? Ou: que beberemos? Ou: de que nos vestiremos? - como fazem os pagãos, que andam à procura de todas essas coisas; porque vosso Pai sabe que tendes necessidades delas.
 
Buscai primeiramente o reino de Deus e a sua justiça, que todas essas coisas vos serão dadas de acréscimo. - Assim, pois, não vos ponhais inquietos pelo dia de amanhã, porquanto o amanhã cuidará de si. A cada dia basta o seu mal. (S. MATEUS, cap. VI, vv. 19 a 21 e 25 a 34.)
 
7. Interpretadas à letra, essas palavras seriam a negação de toda previdência, de todo trabalho e, por conseguinte, de todo progresso. Com semelhante princípio, o homem limitar-se-ia a esperar passivamente. Suas forças físicas e intelectuais conservar-se-iam inativas. Se tal fora a sua condição normal na Terra, jamais houvera ele saído do estado primitivo e, se dessa condição fizesse ele a sua lei para a atualidade, só lhe caberia viver sem fazer coisa alguma. Não pode ter sido esse o pensamento de Jesus, pois estaria em contradição com o que disse de outras vezes, com as próprias leis da Natureza. Deus criou o homem sem vestes e sem abrigo, mas deu-lhe a inteligência para fabricá-los. (Cap. XIV, nº 6; cap. XXV, nº 2.)
 
Não se deve, portanto, ver, nessas palavras, mais do que uma poética alegoria da Providência, que nunca deixa ao abandono os que nela confiam, querendo, todavia, que esses, por seu lado, trabalhem. Se ela nem sempre acode com um auxílio material, inspira as idéias com que se encontram os meios de sair da dificuldade. (Cap. XXVII, nº 8.)
 
Deus conhece as nossas necessidades e a elas provê, como for necessário. O homem, porém, insaciável nos seus desejos, nem sempre sabe contentar-se com o que tem: o necessário não lhe basta; reclama o supérfluo. A Providência, então, o deixa entregue a si mesmo. Freqüentemente, ele se torna infeliz por culpa sua e por haver desatendido à voz que por intermédio da consciência o advertia. Nesses casos, Deus fá-lo sofrer as conseqüências, a fim de que lhe sirvam de lição para o futuro. (Cap. V, nº 4.)
 
8. A Terra produzirá o suficiente para alimentar a todos os seus habitantes, quando os homens souberem administrar, segundo as leis de justiça, de caridade e de amor ao próximo, os bens que ela dá.

Quando a fraternidade reinar entre os povos, como entre as províncias de um mesmo império, o momentâneo supérfluo de um suprirá a momentânea insuficiência do outro; e cada um terá o necessário. O rico, então, considerar-se-á como um que possui grande quantidade de sementes; se as espalhar, elas produzirão pelo cêntuplo para si e para os outros; se, entretanto, comer sozinho as sementes, se as desperdiçar e deixar se perca o excedente do que haja comido, nada produzirão, e não haverá o bastante para todos.

Se as amontoar no seu celeiro, os vermes as devorarão. Daí o haver Jesus dito: "Não acumuleis tesouros na Terra, pois que são perecíveis; acumulai-os no céu, onde são eternos." Em outros termos: não ligueis aos bens materiais mais importância do que aos espirituais e sabei sacrificar os primeiros aos segundos. (Cap. XVI, nº 7 e seguintes.)
 
A caridade e a fraternidade não se decretam em leis. Se uma e outra não estiverem no coração, o egoísmo aí sempre imperará. Cabe ao Espiritismo fazê-las penetrar nele.

Fonte da imagem: Internet Google.

segunda-feira, 19 de abril de 2021

Prêmio ao Trabalho

Certa vez uma Anjo de rutilante beleza desceu à Terra.

Estava à procura de uma criança que pudesse servir de ligação entre a Terra e o Céu, e que tivesse desenvolvido sentimentos nobres, boa-vontade e o amor ao próximo.

Como recompensa, essa criança teria a ventura de fazer uma visita a planos superiores, com a finalidade de aprendizado e recreação, durante as horas consagradas ao repouso noturno.

Passando por certa cidade, o Anjo viu um garoto que parecia simpático. Aproximou-se e convidou-o a ajudar uma família muito necessitada das redondezas. O menino respondeu:

— Agora não posso! Preciso destruir um ninho de pardais que andam estragando as frutas do nosso pomar. Talvez mais tarde...

E, assim dizendo, apanhou o estilingue e afastou-se.

O Anjo baixou a cabeça muito triste ao ver a MALDADE do garoto, e foi embora.

Mais adiante encontrou uma menina e aproximou-se, esperançoso, convidando-a para ajudar os necessitados. Ela pensou um pouco e respondeu, pesarosa:

— Agora não posso. É minha hora de brincar e meus amigos estão esperando. Mais tarde, talvez...

O Anjo sorriu de leve ao perceber o EGOÍSMO da criança e afastou-se, triste.

Mais tarde, o Anjo encontrou um garoto e abordou-o, otimista. O menino, que parecia não ter problema nenhum, morava numa bela casa e estava desocupado, respondeu imediatamente:

— Ah! Não sei não. Tem certeza de que são necessitados mesmo? Veja aquele moleque de rua que está no meu portão. É um malandro e procura apenas uma maneira de se aproximar de minha casa para roubar. Essa “gentinha” não me engana. Fora! Fora! Vadio! Vá trabalhar!

Ao ouvir as palavras cruéis e cheias de ORGULHO do garoto, o Anjo afastou-se sem dizer nada.

E assim, prosseguiu em sua busca sem encontrar a criança que apresentasse os requisitos necessários, isto é, boa-vontade e amor ao próximo.

Estava quase desistindo, quando viu um garoto maltrapilho. Aproximou-se e fez-lhe o mesmo convite, embora sem muita esperança, pois o menino aparentava ser bem pobre.

Os olhos do menino brilharam ao ouvir o convite do Anjo e respondeu, incontinenti:

— Ah, vou sim! O senhor pode me aguardar só um pouquinho? Estou voltando do mercado onde fui fazer umas compras para o almoço. Moro aqui perto. Vamos até em casa?

O Anjo o acompanhou mais animado, notando-lhe a boa-vontade. Lá chegando, verificou a extrema pobreza em que sua família vivia.

Já na entrada, o menino conversou amigavelmente com os passarinhos e galinhas que vieram encontrá-lo.

— Ah, meus amigos! Pensam que me esqueci de vocês? Aqui está o que lhes trouxe — e, assim dizendo, tirou do bolso da calça um pedaço de pão duro que ganhara e distribuiu com as aves famintas.

Em seguida, entrou em casa.

— Mamãe! — disse o menino. — Vou sair para visitar umas pessoas necessitadas. Posso levar-lhes alguma coisa? Devem estar passando fome. Sei que temos pouco, mas eu não preciso de nada, por isso levarei a parte que me cabe. Não se preocupe com o serviço; arrumarei a cozinha quando voltar. Está bem?

Ao ouvir as palavras do menino, o Anjo compreendeu que encontrara o que tanto tinha procurado.

Foi com os olhos úmidos de emoção que acompanhou o garoto até o lar que precisava de ajuda.

Com carinho, o menino atendeu a todos: Tratou de um doente, deu banho no caçula da casa e ajudou a senhora no serviço doméstico. Quando terminou estava cansado, mas feliz.

Disse à dona da casa:

— Não se preocupe. Vou tentar arrumar serviço para seu marido. Dou uma ajuda de vez em quando numa casa muito rica e tenho certeza que o dono, que é um homem muito bom, poderá arranjar alguma ocupação para ele.

Fez uma pausa e concluiu:

— Tenha muita confiança em Deus! Ele não nos desampara nunca.

A pobre mulher, mais animada, agradeceu sensibilizada a ajuda que recebera, e o garoto despediu-se, prometendo voltar assim que pudesse.

O Anjo, profundamente emocionado, ao deixarem a casa disse ao menino:

— Parabéns! Você merece um prêmio pela sua BOA-VONTADE e AMOR AO PRÓXIMO. Receberá, de hoje em diante, toda a ajuda que lhe for necessária para o prosseguimento de sua tarefa de ajuda ao semelhante, porque Deus precisa do concurso de todas as pessoas de bem para a implantação do seu Reino de Amor na face da Terra.

Naquela noite o garoto teve lindos sonhos, sendo levado para regiões mais felizes do Plano Espiritual onde receberia instruções para trabalhar, acordando no dia seguinte com ânimo renovado para enfrentar a vida.

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.
 

sexta-feira, 16 de abril de 2021

Sonho e Trabalho

Alcei ao Alto o olhar, um dia,
Como quem desejasse adivinhar
Que prodígio de sóis encontraria
No celeste esplendor do Eterno Lar...

Vendo constelações e nebulosas
Lançando irradiações maravilhosas,
Indaguei do mentor que seguia a meu lado:
- "Na faixa de trabalho a que me abrigo,
Quereria saber, prezado amigo,
Se todo este Universo que entrevemos,
Astros e luzes pelos Céus supremos,
Vem a ser limitado ou iluminado...

Onde se ocultaria a rútila nascente,
A luz primeira da primeira fonte
Do Universo esplendente,
A vibrar e a fulgir, acima do horizonte?"

Na bondade que marca os grandes instrutores,
Ele apenas me disse: "Irmã Dolores,
Conhecimento exige gradação,
Não faças do porvir um ponto de aflição...

Sigamos, passo a passo,
Sem antecipações do Tempo, ante as forças do Espaço.
Aprimora-te, estuda, informa e ensina,
Mas fitando as Alturas,
Não tentes alcançar em visões prematuras,
Todo o excelso fulgor da Grandeza Divina..."

Interrompeu-se um tanto, ao pisarmos na Terra,
E prosseguiu depois, em tom profundo:
- "Nota, irmã, este nosso antigo mundo...
Quantas lições encerra!
Quem nos explicará, conscientemente,
O segredo interior de uma simples semente?

Que força existirá na flor que desabrocha,
Como entender a formação do mar
E a gênese da rocha?
É preciso, porém, caminhar, caminhar,
E servir por dever...

Outros pesquisarão na luz da inteligência
Os princípios celestes da existência...
Quanto a nós, entretanto,
Vendo tantos irmãos em dura prova,
Sem mágoa e sem espanto,
Cabe-se acender a luz da vida nova
E construir o bem ao suprimir a dor.

Busquemos o trabalho que nos chama,
Não há tempo a perder...
Vemos, por toda parte, o mundo que reclama:
- Quanta coisa a fazer! ...

Por agora, é impossível
Definimos, por nós, os mundos de alto nível;
Mas podemos ouvir, do palácio à choupana,
Toda a tribulação que atinge a vida humana...
Quantas mães, temos hoje a confortar,
Marcadas pela dor que lhes aflige o lar?

Quantos homens leais aguardam fortaleza,
A fim de prosseguir na luta que os retém
Sustentando no mundo a batalha do bem?
Quantos irmãos doentes sem defesa?
Quantos pedintes amargando crises?
Quantas crianças tristes e infelizes?
Quantos amigos jazem mutilados,
Quantos deles se arrastam desprezados?
Quantos barracos tombam sob o vento?
Quantas mansões guardando o sofrimento?
Quantos homens, tentando a deserção da vida?
Como paralisar tanto impulso suicida?

Na pausa do instrutor que silencia, atento,
Fitei de novo, a luz do firmamento
E de olhar retornando à vastidão do mundo,
Eis que em meditação e em prece me aprofundo...
E concluí, de mim para comigo:
- Deus de Infinito Amor, por tudo te agradeço,
Não me deixes, porém, pensar em céus que ainda não mereço! ...
Dá-me forças na estrada em que prossigo,
A Terra que nos deste é o nosso imenso lar...
Faze-me trabalhar! ...

Ajuda-me, Senhor,
A espalhar a esperança, a cultivar amor
E deixa-me aceitar e compreender
Tanta gente a lutar, tanta coisa a fazer!...

Autora: Maria Dolores
 

quarta-feira, 14 de abril de 2021

A ESPADA SIMBÓLICA

“Não cuideis que vim trazer a paz à Terra; não vim trazer a paz, mas a espada.” Jesus (MATEUS, 10: 34)

Inúmeros leitores do Evangelho perturbam-se ante essas afirmativas do Mestre Divino, porquanto o conceito de paz, entre os homens, desde muitos séculos foi visceralmente viciado. Na expressão comum, ter paz significa haver atingido garantias exteriores, dentro das quais possa o corpo vegetar sem cuidados, rodeando-se o homem de servidores, apodrecendo na ociosidade e ausentando-se dos movimentos da vida.

Jesus não poderia endossar tranquilidade desse jaez, e, em contraposição ao falso princípio estabelecido no mundo, trouxe consigo a luta regeneradora, a espada simbólica do conhecimento interior pela revelação divina, a fim de que o homem inicie a batalha do aperfeiçoamento em si mesmo. O Mestre veio instalar o combate da redenção sobre a Terra. Desde o seu ensinamento primeiro, foi formada a frente da batalha sem sangue, destinada à iluminação do caminho humano. E Ele mesmo foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos.

Há mais vinte séculos vive a Terra sob esses impulsos renovadores, e ai daqueles que dormem, estranhos ao processo santificante!

Buscar a mentirosa paz da ociosidade é desviar-se da luz, fugindo à vida e precipitando a morte.

No entanto, Jesus é também chamado o Príncipe da Paz.

Sim, na verdade o Cristo trouxe ao mundo a espada renovadora da guerra contra o mal, constituindo em si mesmo a divina fonte de repouso aos corações que se unem ao seu amor; esses, nas mais perigosas situações da Terra, encontram, n’Ele, a serenidade inalterável. É que Jesus começou o combate de salvação para a Humanidade, representando, ao mesmo tempo, o sustentáculo da paz sublime para todos os homens bons e sinceros.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 104 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
Fonte da imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

O Crente Desapontado

Havia um homem que possuía uma pequena área de terra, mas de solo fértil e dadivoso.

Dono de profunda e invejável fé, o nosso homem não se cansava de louvar a Deus por toda a criação e pelas dádivas da natureza, sempre tão pródiga.

O terreno vizinho era habitado por um homem muito pobre, mas muito trabalhador. Ele nada possuía, mas trabalhava tanto que nem sequer tinha tempo de pensar em Deus. Acreditava no seu esforço pessoal e em tudo aquilo que seus braços podiam realizar.

E, assim pensando, desde o alvorecer até o poente, lá estava ele, arroteando o terreno, adubando, plantando e arrancando as ervas daninhas que se misturavam à boa semente.

O outro criticava-o pela falta de religião e dizia-lhe:

– Não sei como pode deixar de louvar a Deus! Veja a beleza do céu com seus astros, a pujança da natureza que nos concede suas dádivas! Agradeço a Deus todos os dias e peço a Ele que me ajude porque sei que não deixará de ouvir minhas preces.

O incrédulo sorria, concordava com a cabeça e pedia licença, retirando-se:

– Agora não tenho tempo. O sol já está se pondo e preciso regar minha horta e dar milho para as galinhas.

E o crente ali ficava, condoído da falta de fé do vizinho e sentado sob uma árvore, a contemplar as primeiras estrelas que já começavam a surgir, embevecido ante a majestosa obra do Criador.

O tempo foi passando e a propriedade do crente foi mudando de aspecto.

Onde antes existira uma plantação viçosa, agora o mato tomava conta, sufocando as poucas sementes que teimavam por nascer. A cerca estava toda quebrada e a horta destruída pelas galinhas que penetravam pelos buracos, e pelos passarinhos que, não encontrando oposição, comeram as plantas existentes.

No pomar, sem cuidados, as frutas amadureceram nos pés e, sem ninguém que as colhesse, apodreceram caindo ao chão, servindo de repasto para os vermes e insetos.

Enfim, o aspecto era de abandono e desolação. A sujeira tomava conta de tudo.

No terreno ao lado, porém, tudo era diferente. As plantas, bem cuidadas, faziam a alegria do seu dono. As hortaliças e legumes produziam bastante, propiciando farta alimentação, além da venda no mercado do excedente da produção.

As frutas colhidas e armazenadas deram-lhe bom lucro e, com a renda, aumentou o rancho, fez uma pintura bem bonita e ainda comprou algumas vacas.

O crente, sem entender o que acontecera, inquiriu o incrédulo:

– Não sei por que minha propriedade está indo tão mal, enquanto a sua, que era um terreno ruim e cheio de pedras, está tão bonita. Não entendo! Sou fervoroso crente em Deus. Jamais deixei de cumprir minhas obrigações religiosas e sempre tenho suplicado a ajuda do nosso Mestre Jesus.

Fazendo uma pausa, perguntou, algo desapontado:

– Será que Ele me esqueceu?

Ao que o incrédulo respondeu:

– Louvar a Deus no íntimo do coração é muito importante, mas creio que “Ele” não desprezou o trabalho. Disseste que minha terra era ruim e cheia de pedras, mas o que sei é que trabalhei muito. Para o solo, usei como adubo a estrumeira dos teus animais que jogavas em meu terreno por sobre a cerca, tornando-o mais fértil e melhorando a produção. Com as pedras que retirei do solo, fiz uma cerca mais forte e resistente ao assédio dos animais.

Fez uma pausa e prosseguiu:

– Não tenho muito tempo para dedicar-me a Deus, mas creio que esqueceste uma lição muito importante que foi deixada há muito tempo atrás por Jesus de Nazaré, que dizes amar.

– Qual é? – perguntou o crente fervoroso.

– Ajuda-te a ti mesmo que o céu te ajudará!

Envergonhado, o crente baixou a cabeça, reconhecendo que o outro tinha razão e que ele, que se julgara tão superior ao vizinho, aprendia com ele uma lição de vida, extraordinária.

Entendeu então que é muito importante ter fé em Deus, mas isto não basta. É preciso transformar em obras as lições recebidas. O Evangelho de Jesus, que ele prezava tanto, estava apenas em seu cérebro, não em seu coração.

Fora preciso alguém, que nem sequer tinha tempo de louvar a Deus, abrir-lhe os olhos e lembrar a lição inesquecível do Mestre de Nazaré:

– Ajuda-te a ti mesmo que o céu te ajudará!

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.
 

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Retrato da Amizade

Agradeço, alma fraterna e boa,
O amor que no teu gesto se condensa,
Deixando ao longe a festa, o ruído e o repouso
Para dar-me a presença...

Sofres sem reclamar enquanto exponho
Minhas ideias diminutas
E anoto quanto é grande o teu carinho
No sereno sorriso em que me escutas.

Não sei dizer-te a gratidão que guardo
Pelas doces palavras que me dizes,
Amenizando as lutas que carrego
Em meus impulsos infelizes.

Auxilia-me a ver sem barulho ou reproche,
Dos trilhos para o bem o mais certo e o mais curto,
Sem cobrar pagamentos ou louvores
Pelo valor do tempo que te furto.

Aceitas-me como um todo como sou,
Nunca me perguntaste de onde vim
Nem me solicitaste qualquer conta
Da enorme imperfeição que trago em mim!...

Agradeço-te ainda o socorro espontâneo
Que me estendes à vida estrada afora,
Para que as minhas mãos se façam mensageiras
De consolo a quem chora!...

Louvado seja Deus, alma querida e bela
Pelo conforto de teu braço irmão
Por tudo que tem sido em meu caminho,
Por tudo me dás ao coração!...

Autora: Maria Dolores
 

quarta-feira, 7 de abril de 2021

127 Ajuda-te Que o Céu Te Ajudará

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap.25 – BUSCAI E ACHAREIS

1. Pedi e se vos dará; buscai e achareis; batei à porta e se vos abrirá; porquanto, quem pede recebe e quem procura acha e, àquele que bata à porta, abrir-se-á.
Qual o homem, dentre vós, que dá uma pedra ao filho que lhe pede pão? - Ou, se pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? -Ora, se, sendo maus como sois, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, não é lógico que, com mais forte razão, vosso Pai que está nos céus dê os bens verdadeiros aos que lhos pedirem? (S. MATEUS, cap. VII, v. 7 a 11).

2. Do ponto de vista terreno, a máxima: Buscai e achareis é análoga a esta outra: Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará. É o princípio da lei do trabalho e, por conseguinte, da lei do progresso, porquanto o progresso é filho do trabalho, visto que este põe em ação as forças da inteligência.

Na infância da Humanidade, o homem só aplica a inteligência à cata do alimento, dos meios de se preservar das intempéries e de se defender dos seus inimigos. Deus, porém, lhe deu, a mais do que outorgou ao animal; o desejo incessante do melhor, e é esse desejo que o impele à pesquisa dos meios de melhorar a sua posição, que o leva às descobertas, às invenções, ao aperfeiçoamento da Ciência, porquanto é a Ciência que lhe proporciona o que lhe falta. Pelas suas pesquisas, a inteligência se lhe engrandece, a moral se lhe depura. As necessidades do corpo sucedem as do espírito: depois do alimento material, precisa ele do alimento espiritual. É assim que o homem passa da selvageria à civilização.

Mas, bem pouca coisa o homem realiza individualmente durante a vida terrena, em grande número deles, o progresso que cada um realiza no curso da vida é imperceptível. Como poderia então progredir a Humanidade, sem a preexistência e a reexistência da alma? Se as almas se fossem todos os dias, para não mais voltarem, a Humanidade se renovaria incessantemente com os elementos primitivos, tendo de fazer tudo, de aprender tudo. Não haveria, nesse caso, razão para que o homem se achasse hoje mais adiantado do que nas primeiras idades do mundo, uma vez que a cada nascimento todo o trabalho intelectual teria de recomeçar. Ao contrário, voltando com o progresso que já realizou e adquirindo de cada vez alguma coisa a mais, a alma passa gradualmente da barbárie à civilização material e desta à civilização moral. (Vede: cap. IV, nº 17.)

3. Se Deus houvesse isentado o trabalho do corpo do homem, seus membros se teriam atrofiado; se o houvesse isentado o trabalho da inteligência, seu espírito teria permanecido na infância, no estado de instinto animal. Por isso é que lhe fez do trabalho uma necessidade e lhe disse: Procura e acharás; trabalha e produzirás. Dessa maneira serás filho das tuas obras, terás delas o mérito e serás recompensado de acordo com o que hajas feito.

4. Em virtude desse princípio é que os Espíritos não acorrem a poupar o homem ao trabalho das pesquisas, trazendo-lhe, já feitas e prontas a ser utilizadas, descobertas e invenções, de modo a não ter ele mais do que tomar o que lhe ponham nas mãos, sem o incômodo, sequer, de abaixar-se para apanhar, nem mesmo o de pensar. Se assim fosse, o mais preguiçoso poderia enriquecer-se e o mais ignorante tornar-se sábio à custa de nada e ambos se atribuírem o mérito do que não fizeram. Não, os Espíritos não vêm isentar o homem da lei do trabalho: vêm unicamente mostrar-lhe a meta que lhe cumpre atingir e o caminho que a ela conduz, dizendo-lhe: Anda e chegarás. Toparás com pedras; olha e afasta-as tu mesmo. Nós te daremos a força necessária, se a quiseres empregar. (O Livro dos Médiuns, 2ª Parte, cap. XXVI, nº 291 e seguintes.)

5. Do ponto de vista moral, essas palavras de Jesus significam: Pedi a luz que vos clareie o caminho e ela vos será dada; pedi forças para resistirdes ao mal e as tereis; pedi a assistência dos bons Espíritos e eles virão acompanhar-vos e, como o anjo de Tobias, vos guiarão; pedi bons conselhos e eles não vos serão jamais recusados; batei à nossa porta e ela se vos abrirá; mas, pedi sinceramente, com fé, confiança e fervor; apresentai-vos com humildade e não com arrogância, sem o que sereis abandonados às vossas próprias forças e as quedas que derdes serão o castigo do vosso orgulho.
Tal o sentido das palavras: buscai e achareis; batei e abrir-se-vos-á.

Fonte da imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 5 de abril de 2021

NOVA BIOGRAFIA

Hoje foi postada a biografia do mês de Abril de 2021 na coluna "Grandes Nomes do Espiritismo" em homenagem a JOÃO CYRÍACO DE SOUZA FILHO.


 

quarta-feira, 31 de março de 2021

ESTIMA DO MUNDO

“Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?” Jesus (MATEUS, 10: 25)

Muitos discípulos do Evangelho existem, ciosos de suas predileções e pontos de vista, no campo individual.

Falsas concepções ensombram lhes o olhar.

Quase sempre se inquietam pelo reconhecimento público das virtudes que lhes exornam o caráter, guardam o secreto propósito de obter a admiração de todos e sentem-se prejudicados se as autoridades transitórias do mundo não lhes conferem apreço.

Agem esquecidos de que o Reino de Deus não vem com aparência exterior; não percebem que, por enquanto, somente os vultos destacados, nas vanguardas financeiras ou políticas, arvoram-se em detentores de prerrogativas terrestres, senhores quase absolutos das homenagens pessoais e dos necrológios brilhantes.

Os filhos do Reino Divino sobressaem raramente e, de modo geral, enchem o mundo de benefícios sem que o homem os veja, à feição do que ocorre com o próprio Pai.

Se Jesus foi chamado feiticeiro, crucificado como malfeitor e arrebatado de sua amorosa missão para o madeiro afrontoso, que não devem esperar seus aprendizes sinceros, quando verdadeiramente devotados à sua causa?

O discípulo não pode ignorar que a permanência na Terra decorre da necessidade de trabalho proveitoso e não do uso de vantagens efêmeras que, em muitos casos, lhe anulariam a capacidade de servir.

Se a força humana torturou o Cristo, não deixará de torturá-lo também. É ilógico disputar a estima de um mundo que, mais tarde, será compelido a regenerar-se para obter a redenção.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 103 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
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segunda-feira, 29 de março de 2021

O CRISTÃO E O MUNDO

“Primeiro a erva, depois a espiga e, por último, o grão cheio na espiga.” Jesus (MARCOS, 4: 28)

Ninguém julgue fácil a aquisição de um título referente à elevação espiritual. O Mestre recorreu sabiamente aos símbolos vivos da Natureza, favorecendo-nos a compreensão.

A erva está longe da espiga, como a espiga permanece distanciada dos grãos maduros.

Nesse capítulo, o mais forte adversário da alma que deseja seguir o Salvador, é o próprio mundo.

Quando o homem comum descansa nas vulgaridades e inutilidades da existência terrestre, ninguém lhe examina os passos. Suas atitudes não interessam a quem quer que seja. Todavia, em lhe surgindo no coração a erva tenra da fé retificadora, sua vida passa a constituir objeto de curiosidade para a multidão.

Milhares de olhos, que o não viram quando desviado na ignorância e na indiferença, seguem lhe, agora, os gestos mínimos com acentuada vigilância. O pobre aspirante ao título de discípulo do Senhor ainda não passa de folhagem promissora e já lhe reclamam espigas das obras celestes; conserva­se ainda longe da primeira penugem das asas espirituais e já se lhe exigem voos supremos sobre as misérias humanas.

Muitos aprendizes desanimam e voltam para o lodo, onde os companheiros não os vejam.

Esquece-se o mundo de que essas almas ansiosas ainda se acham nas primeiras esperanças e, por isso mesmo, em disputas mais ásperas por rebentar o casulo das paixões inferiores na aspiração de subir; dentro da velha ignorância, que lhe é característica, a multidão só entende o homem na animalidade em que se compraz ou, então, se o companheiro pretende elevar-se, lhe exige, de pronto, credenciais positivas do céu, olvidando que ninguém pode trair o tempo ou enganar o espírito de sequência da Natureza.

Resta ao cristão cultivar seus propósitos sublimes e ouvir o Mestre: Primeiro a erva, depois a espiga e, por último, o grão cheio na espiga.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 102 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
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sexta-feira, 26 de março de 2021

TUDO EM DEUS

“Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma.” Jesus (JOÃO, 5: 30)

Constitui ótimo exercício contra a vaidade pessoal a meditação nos fatores transcendentes que regem os mínimos fenômenos da vida.

O homem nada pode sem Deus.

Todos temos visto personalidades que surgem dominadoras no palco terrestre, afirmando-se poderosas sem o amparo do Altíssimo; entretanto, a única realização que conseguem efetivamente é a dilatação ilusória pelo sopro do mundo, esvaziando-se aos primeiros contatos com as verdades divinas.

Quando aparecem, temíveis, esses gigantes de vento espalham ruínas materiais e aflições de espírito; todavia, o mesmo mundo que lhes confere pedestal projeta-os no abismo do desprezo comum; a mesma multidão que os assopra incumbe-se de repô-los no lugar que lhes compete.

Os discípulos sinceros não ignoram que todas as suas possibilidades procedem do Pai amigo e sábio, que as oportunidades de edificação na Terra, com a excelência das paisagens, recursos de cada dia e bênçãos dos seres amados, vieram de Deus que os convida, pelo espírito de serviço, a ministérios mais santos; agirão, desse modo, amando sempre, aproveitando para o bem e esclarecendo para a verdade, retificando caminhos e acendendo novas luzes, porque seus corações reconhecem que nada poderão fazer de si próprios e honrarão o Pai, entrando em santa cooperação nas suas obras.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 101 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
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quarta-feira, 24 de março de 2021

AUXÍLIOS DO INVISÍVEL

“E, depois de passarem a primeira e segunda guarda, chegaram à porta de ferro, que dá para a cidade, a qual se lhes abriu por si mesma; e, tendo saído, percorreram uma rua e logo o anjo se apartou dele.” (ATOS, 12: 10)

Os homens esperam sempre ansiosamente o auxílio do plano espiritual. Não importa o nome pelo qual se designe esse amparo. Na essência é invariavelmente o mesmo, embora seja conhecido entre os espiritistas por “proteção dos guias” e nos círculos protestantes por “manifestações do Espírito Santo”.

As denominações apresentam interesse secundário. Essencial é considerarmos que semelhante colaboração constitui elemento vital nas atividades do crente sincero.

No entanto, a contribuição recebida por Pedro, no cárcere, representa lição para todos.

Sob cadeias pesadíssimas, o pescador de Cafarnaum vê aproximar-se o anjo do Senhor, que o liberta, atravessa em sua companhia os primeiros perigos na prisão, caminha ao lado do mensageiro, ao longo de uma rua; contudo, o emissário afasta-se, deixando-o novamente entregue à própria liberdade, de maneira a não desvalorizar lhe as iniciativas.

Essa exemplificação é típica.

Os auxílios do invisível são incontestáveis e jamais falham em suas multiformes expressões, no momento oportuno; mas é imprescindível não se vicie o crente com essa espécie de cooperação, aprendendo a caminhar sozinho, usando a independência e a vontade no que é justo e útil, convicto de que se encontra no mundo para aprender, não lhe sendo permitido reclamar dos instrutores a solução de problemas necessários à sua condição de aluno.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 100 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
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segunda-feira, 22 de março de 2021

PROMETER

“Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção.” (I PEDRO, 2: 19)

É indispensável desconfiar de todas as promessas de facilidades sobre o mundo.

Jesus, que podia abrir os mais vastos horizontes aos olhos assombrados da criatura, prometeu-lhe a cruz sem a qual não poderia afastar-se da Terra para colocar-se ao seu encontro.

Em toda parte, existem discípulos descuidados que aceitam o logro de aventureiros inconscientes. É que ainda não aprenderam a lição viva do trabalho próprio a que foram chamados para desenvolver atividade particular.

Os fazedores de revoluções e os donos de projetos absurdos prometem maravilhas. Mas, se são vítimas da ambição, servos de propósitos inferiores, escravos de terríveis enganos, como poderão realizar para os outros a liberdade ou a elevação de que se conservam distantes?

Não creias em salvadores que não demonstrem ações que confirmem a salvação de si mesmos.

Deves saber que foste criado para gloriosa ascensão, mas que só é fácil descer. Subir exige trabalho, paciência, perseverança, condições essenciais para o encontro do amor e da sabedoria.

Se alguém te fala em valor das facilidades, não acredites; é possível que o aventureiro esteja descendo.

Mas quando te façam ver perspectivas consoladoras, através do suor e do esforço pessoal, aceita os alvitres com alegria. Aquele que compreende o tesouro oculto nos obstáculos, e dele se vale para enriquecer a vida, está subindo e é digno de ser seguido.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 99 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
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sexta-feira, 19 de março de 2021

Razões da Vida

Indagas, muita vez, alma querida e boa:
– “Meu Deus, por que essa dor que me atormentar o ser?”
E segues, trilha afora, em pranto oculto,
De sonho encarcerado, a lutar e a sofrer.

Anelas outro clima, outro lar e outros rumos,
Entretanto, o dever te algema o coração dorido
Ao campo de trabalho que abraçaste,
Atendendo, na Terra, a divino sentido.

Antes de renascer, os seres responsáveis
Notam as próprias dívidas quais são
E suplicam a Deus lhes conceda no mundo
O caminho que os leve à redenção.

Não recalcitres, pois, contra os próprios encargos
Que te pareceu fardos de problemas,
Encontras-te no encalço da conquista
De bênçãos imortais e alegrias supremas.

A lágrima que vertes padecendo
Longas tribulações, entre lutas e crises,
É um remédio da vida, em nossos olhos,
Que nos faculte ver os irmãos infelizes.

O abandono dos seres que mais amas,
Criando-te a aflição em que choras e anseias,
É um curso de lições em que aprendemos
Quanto custam na estrada as angústias alheias.

Familiares que te contrariam
Trazem-nos à lembrança os gestos rudes
Com que outrora ferimos entes caros
No fel de nossas próprias atitudes.

Afeição de outras eras que descubras,
Querendo-lhe debalde a presença e a união,
É instrumento de amor que te inspira a renúncia
Para o trabalho da sublimação.

A experiência humana é breve aprendizado
E essa tribulação que te fere e domina
É recurso dos Céus, em nosso amparo,
Zelo, defesa e luz da Bondade Divina.

Sofre sem reclamar a prova que te coube,
Mesmo que a dor te espanque, atingindo apogeus...
E, um dia, exclamarás, ante os sóis de outra vida:
– “Bendita seja a Terra!... Obrigado, meu Deus!"

Autora: Maria Dolores
 

quarta-feira, 17 de março de 2021

126 Carregar Sua Cruz Quem Quiser Salvar a Vida

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap. 24 - NÃO POR A CANDEIA DEBAIXO DO ALQUEIRE

17. Bem ditosos sereis, quando os homens vos odiarem e separarem, quando vos tratarem injuriosamente, quando repelirem como mau o vosso nome, por causa do Filho do Homem. - Rejubilai nesse dia e ficai em transportes de alegria, porque grande recompensa vos está reservada no céu, visto que era assim que os pais deles tratavam os profetas. (S. LUCAS, cap. VI, vv. 22 e 23.).

18. Chamando para perto de si o povo e os discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir nas minhas pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me; porquanto, aquele que se quiser salvar a si mesmo, perder-se-á; e aquele que se perder por amor de mim e do Evangelho se salvará. Com efeito, de que serviria a um homem ganhar o mundo todo e perder-se a si mesmo? (S. MARCOS, cap. VIII, vv. 34 a 36; - S. LUCAS, cap. IX, vv. 23 a 25; - S. MATEUS, cap. X, vv. 38 e 39; - S. JOÃO, cap. XII, vv. 25 e 26.).

19. Rejubilai-vos, diz Jesus, quando os homens vos odiarem e perseguirem por minha causa, visto que sereis recompensados no céu. Podem traduzir-se assim essas verdades: “Considerai-vos ditosos, quando haja homens que, pela sua má vontade para convosco, vos deem ocasião de provar a sinceridade da vossa fé, porquanto o mal que vos façam redundará em proveito vosso. Lamentai-lhes a cegueira, porém, não os maldigais”.

Depois, acrescenta: “Tome a sua cruz aquele que me quiser seguir”, isto é, suporte corajosamente as tribulações que sua fé lhe acarretar, dado que aquele que quiser salvar a vida e seus bens, renunciando-me a mim, perderá as vantagens do reino dos céus, enquanto os que tudo houverem perdido neste mundo, mesmo a vida, para que a verdade triunfe, receberão, na vida futura, o prêmio da coragem, da perseverança e da abnegação de que deram prova. Mas, aos que sacrificam os bens celestes aos gozos terrestres, Deus dirá: "Já recebestes a vossa recompensa”.

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