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quarta-feira, 18 de novembro de 2020

120 Deixar aos Mortos o Cuidado de Enterrar Seus Mortos

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap. 23 Moral Estranha

7. Disse a outro: Segue-me; e o outro respondeu: Senhor; consente que, primeiro, eu vá enterrar meu pai. - Jesus lhe retrucou: Deixa aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos; quanto a ti, vai anunciar o reino de Deus. (S. LUCAS, cap. IX, vv. 59 e 60.) 
8. Que podem significar estas palavras: "Deixa aos mortos o cuidado de enterrar seus mortos"? 

As considerações precedentes mostram, em primeiro lugar, que, nas circunstâncias em que foram proferidas, não podiam conter censura àquele que considerava um dever de piedade filial ir sepultar seu pai. 

Tem, no entanto, um sentido profundo, que só o conhecimento mais completo da vida espiritual podia tomar perceptível.

A vida espiritual é, com efeito, a verdadeira vida, é a vida normal do Espírito, sendo-lhe transitória e passageira a existência terrestre, espécie de morte, se comparada ao esplendor e à atividade da outra. 

O corpo não passa de simples vestimenta grosseira que temporariamente cobre o Espírito, verdadeiro grilhão que o prende à gleba terrena, do qual se sente ele feliz em libertar-se. 

O respeito que aos mortos se consagra não é a matéria que o inspira; é, pela lembrança, o Espírito ausente quem o infunde. 

Ele é análogo àquele que se vota aos objetos que lhe pertenceram, que ele tocou e que as pessoas que lhe são afeiçoadas guardam como relíquias. 

Era isso o que aquele homem não podia por si mesmo compreender.

Jesus lhe ensina, dizendo: Não te preocupes com o corpo, pensa antes no Espírito; vai ensinar o reino de Deus; vai dizer aos homens que a pátria deles não é a Terra, mas o céu, porquanto somente lá transcorre a verdadeira vida.

Fonte da imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Fazer o Bem Sem Olhar a Quem

A família entrou no consultório falando alto: pai, mãe e filha não se entendiam.

A pediatra que tratava o corpo, mas também a alma, tentou acalmá-los, para que pudesse verificar qual era o motivo que os trazia até ali.

A menina, uma quase adolescente, não tinha nada de grave fisicamente, e a consulta parecia ser mais um pedido de socorro daqueles três corações em conflito. Mas qual seria a dificuldade? Ciúmes do irmão mais novo? Problemas na escola? Relacionamento difícil com os familiares?

A menina, com certeza, tinha muitas coisas materiais, mas conversando com ela era possível perceber que ela não sabia utilizar o que possuía para sua felicidade e dos outros, estando sempre insatisfeita e mal-humorada.

A falta de objetivos, além do grande desejo de ter muitas coisas materiais, era evidente em todos naquela família. Aproveitando uma oportunidade, a médica falou sobre o objetivo da vida: evoluir, desenvolver as virtudes que trazem felicidade. Falou também da Lei de Causa e Efeito e de como é importante o que pensamos e fazemos, pois emitimos energias, positivas ou negativas. A pediatra falava de um jeito tão natural e amoroso que conseguia envolver desde os pais, até a menina, na reflexão.

- Mas tem hora que eu não sei o que fazer, e quando vi, já fiz a bobagem! - desabafou a menina.

- Isso também acontece comigo, lembrou a médica. E sabe o que eu faço? Quando não sei o que fazer, eu penso: “O que Jesus faria nessa situação?” Então, logo sei qual a melhor atitude. Mas se errei, procuro pensar: “E agora, o que posso fazer para consertar?” E tento fazer algo de bom logo em seguida, se possível para a pessoa que prejudiquei, ou então para outra pessoa.

A jovem médica sabia que cada consulta era um momento especial, pois sempre podemos fazer o bem, seja qual for a nossa profissão. Em pensamento, ela fez uma prece de agradecimento por conhecer a Doutrina Espírita que lhe oportunizou entender tantas coisas, tornando-se luz em seu caminho. Orou também por aquela família que, naquele momento, precisava aprender e praticar os ensinamentos de Jesus para encontrar o caminho da harmonia e da felicidade.

Esse foi mais um dia de muito trabalho para a pediatra, mas ela atendeu a cada criança, cada família, com muito amor e dedicação, colocando em prática o seu objetivo nesta vida: “Evoluir, semeando o bem; ajudar, sem olhar a quem.”

Claudia Schmidt

Fonte da imagem: Internet Google.
 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

POR QUE DORMIS?

“E disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.” (LUCAS, 22: 46)

Nos ensinos fundamentais de Jesus, é imperioso evitar as situações acomodatícias, em detrimento das atividades do bem.

O Evangelho de Lucas, nesta passagem, conta que os discípulos “dormiam de tristeza”, enquanto o Mestre orava fervorosamente no Horto. Vê-se, pois, que o Senhor não justificou nem mesmo a inatividade oriunda do choque ante as grandes dores.

O aprendiz figurará o mundo como sendo o campo de trabalho do Reino, onde se esforçará, operoso e vigilante, compreendendo que o Cristo prossegue em serviço redentor para o resgate total das criaturas.

Recordando a prece em Getsêmani, somos obrigados a lembrar que inúmeras comunidades de alicerces cristãos permanecem dormindo nas convivências pessoais, nos mesquinhos interesses, nas vaidades efêmeras. Falam do Cristo, referem-se à sua imperecível exemplificação, como se fossem sonâmbulos, inconscientes do que dizem e do que fazem, para despertarem tão-só no instante da morte corporal, em soluços tardios.

Ouçamos a interrogação do Salvador e busquemos a edificação e o trabalho, onde não existem lugares vagos para o que seja inútil e ruinoso à consciência.

Quanto a ti, que ainda te encontras na carne, não durmas em espírito, desatendendo aos interesses do Redentor. Levanta-te e esforça-te, porque é no sono da alma que se encontram as mais perigosas tentações, através de pesadelos ou fantasias.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 87 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
Fonte da imagem: Internet Google.
 

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

119 Abandonar Pai, Mãe e Filhos

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap. 23 Moral Estranha

4. Aquele que houver deixado, pelo meu nome, sua casa, os seus irmãos, ou suas irmãs, ou seu pai, ou sua mãe, ou sua mulher, ou seus filhos, ou suas terras, receberá o cêntuplo de tudo isso e terá por herança a vida eterna. (S. MATEUS, cap. XIX, v. 29.)

5. Então, disse-lhe Pedro: Quanto a nós, vês que tudo deixamos e te seguimos. 
-Jesus lhe observou: Digo-vos, em verdade, que ninguém deixará, pelo reino de Deus, sua casa, ou seu pai, ou sua mãe, ou seus irmãos, ou sua mulher, ou seus filhos - que não receba, já neste mundo, muito mais, e no século vindouro a vida eterna. (S. LUCAS, cap. XVIII, vv. 28 a 30.)

6. Disse-lhe outro: Senhor, eu te seguirei; mas, permite que, antes, disponha do que tenho em minha casa. 
- Jesus lhe respondeu: Quem quer que, tendo posto a mão na charrua, olhar para trás, não esta apto para o reino de Deus. (S. LUCAS, cap. IX, vv. 61 e 62.)

Sem discutir as palavras, deve-se aqui procurar o pensamento, que era, evidentemente, este: "Os interesses da vida futura prevalecem sobre todos os interesses e todas as considerações humanas", porque esse pensamento está de acordo com a substância da doutrina de Jesus, ao passo que a ideia de uma renunciação à família seria a negação dessa doutrina.

Não temos, aliás, sob as vistas a aplicação dessas máximas no sacrifício dos interesses e das afeições de família aos da Pátria?

Censura-se, porventura, aquele que deixa seu pai, sua mãe, seus irmãos, sua mulher, seus filhos, para marchar em defesa do seu país?

Não se lhe reconhece, ao contrário, grande mérito em arrancar-se às doçuras do lar doméstico, aos liames da amizade, para cumprir um dever? 

E que, então, há deveres que sobrelevam a outros deveres.

Não impõe a lei à filha a obrigação de deixar os pais, para acompanhar o esposo? 

Formigam no mundo os casos em que são necessárias as mais penosas separações. Nem por isso, entretanto, as afeições se rompem. 

O afastamento não diminui o respeito, nem a solicitude do filho para com os pais, nem a ternura destes para com aquele. Vê-se, portanto, que, mesmo tomadas ao pé da letra, excetuado o termo odiar, aquelas palavras não seriam uma negação do mandamento que prescreve ao homem honrar a seu pai e a sua mãe, nem do afeto paternal; com mais forte razão, não o seriam, se tomadas segundo o espírito. 

Tinham elas por fim mostrar, mediante uma hipérbole, quão imperioso é para a criatura o dever de ocupar-se com a vida futura. Aliás, pouco chocantes haviam de ser para um povo e numa época em que, como consequência dos costumes, os laços de família eram menos fortes, do que no seio de uma civilização moral mais avançada. Esses laços, mais fracos nos povos primitivos, fortalecem-se com o desenvolvimento da sensibilidade e do senso moral. 

A própria separação é necessária ao progresso. Assim as famílias como as raças se abastardam, desde que se não entrecruzem, se não enxertem umas nas outras. É essa uma lei da Natureza, tanto no interesse do progresso moral, quanto no do progresso físico.

Aqui, as coisas são consideradas apenas do ponto de vista terreno. 

O Espiritismo no-las faz ver de mais alto, mostrando serem os do Espírito e não os do corpo os verdadeiros laços de afeição; que aqueles laços não se quebram pela separação, nem mesmo pela morte do corpo; que se robustecem na vida espiritual, pela depuração do Espírito, verdade consoladora da qual grande força haurem as criaturas, para suportarem as vicissitudes da vida. (Cap. IV, nº 18; cap. XIV, nº 8.)

Fonte da imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Sophia e Seu Anjo Amigo

Sophia, assim se chamava uma menina que morava bem perto daqui, em uma casa muito simples, porém limpinha e aconchegante, com seus pais e seu irmãozinho que ainda era um bebê. A mãe de Sophia cuidava da casa e da família e seu pai trabalhava como marceneiro.

Certo dia, Sophia estava voltando da escola quando tropeçou em uma pedra e caiu. Algumas pessoas que passavam por ali a ajudaram a levantar, ela sentia o joelho doendo, mas continuo a sua caminhada.

Chegando em casa logo disse:

- Mamãe, machuquei meu joelho.

Sua mãe toda carinhosa fez um curativo e deixou a menina deitadinha no sofá.

Seu pai chegou do trabalho e foi ver o que tinha acontecido. Foi quando Sophia lhe perguntou curiosa:

- Pai, existe anjo da guarda?

O pai lhe respondeu:

- Claro que existe minha filha!

E continuou explicando:

- Sophia, cada um de nós tem um Espírito que nos protege que chamamos de anjo da guarda.

E Sophia interrompeu:

- Mas então quando eu estava indo para a escola porque meu anjo da guarda deixou que eu tropeçasse e caísse?

Seu pai sorridente lhe falou:

- Milha filha, quando você caiu, poderia ter acontecido algo muito pior. Mas graças à proteção do se anjo da guarda você apenas machucou o joelho! E agora Sophia, você acredita em Espíritos protetores e anjos guardiões?

Sophia, que depois daquela conversa amiga já estava quase esquecendo a dor no joelho, pulou no colo do pai, lhe deu um abraço e respondeu:

- Agora sim papai, agora sim!


Grupo Espírita Amigos de Chico (Santo Ângelo/RS).

Fonte da imagem: Internet Google.

 

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Reencontro no Além

Vagueava no Espaço a pobre mãe suicida,
Apagara, a veneno, a luz da própria vida
Tentando reencontrar o filho que perdera
Em tóxicos letais,
Saudade, ânsia, aflição...
Não suportara mais.
E espírito da sombra, em lágrimas vagueia,
Entre a cegueira e a dor na angústia que a estonteia.

Dias, semanas, meses na loucura
Atravessara, atribulada e errante,
O império do remorso, ante a sombra gigante,
Sem confiança em Deus, infeliz e insegura,
A bradar o estribilho:
- Ah! meu filho, meu filho!...
Até que atormentada, louca e cega
Tateando no Além, eis que se apega
A desditoso irmão, também desorientado,
Que lastimava, em choro, os erros do passado...
Depois de ouvir-lhe os gritos,
O pobre respondeu:

- A senhora clamando é mais feliz do que eu,
Seu coração procura um filho muito amado,
Quanto a mim... quanto a mim,
Quero esquecer a mãe que tive no passado,
Que me repôs aqui, neste inferno sem fim...
E o pobre continuou, desalentado:
Saí daqui, um dia, a fim de melhorar-me,
Ela me recolheu nos braços com carinho...
Vestiu-me e festejou a júbilos e alarme,
O berço em que eu nascia...
A princípio, embalou-me em canções de alegria,
Entretanto, depois,
Na vida mais profunda entre nós dois,
Segregou-me no mundo, em egoísmo atroz,
Para ela, por fim, na ilusão que levava,
A terra éramos nós, o amor somente nós...

Criou-me escravo dela e fez-me minha escrava,
Afastou-me de tudo quanto fosse inquietação ou prova,
Em que me caberia
Acender, dentro em mim, a luz de vida nova.
Transformou-me a existência em longa fantasia
Para que eu fosse,
Desde o a b c da escola,
Um gênio de artimanhas,
Um moço de aventuras e façanhas,
Mas nunca um aprendiz
Que fosse no futuro um homem reto e feliz.

Quando atingi a plena juventude,
Contratou-me instrutores,
Que me ensinassem força, ação, elegância e beleza,
A fim de que, na forma, eu dominasse
Todos os contendores,
Fortes também por leis da natureza...
Deveria, por fim, ver todos muito abaixo,
A minha pobre mãe exigia e exigia
Que eu demonstrasse, em tudo, a excelência de um macho...
Depois, no entanto, veio a derrocada,
O tóxico apanhou-me a preguiça dourada...

Minha mãe jamais quis ensinar-me a sofrer,
Não quis que eu trabalhasse ou prezasse um dever...
Conheci a maldade e os impulsos medonhos
E a morte prematura, arrasando-me os sonhos...
De útil ou de bom nada tenho e nem fiz,
Sou agora, onde estou, um espírito infeliz!...

Ao escutar-lhe a voz e ao conhecer-lhe o nome,
Cai a pobre mulher na angústia que a consome;
Chama o desventurado e arrasta-se-lhe aos pés,
Avançando de bruços,
Ei-la a falar, desfeita em terríveis soluços:
- Agora compreendo...agora sei quem és...
E, em desespero, a voz grita, ante o céu sem brilho:
- Perdoa-me, meu Deus! ... Ah! meu filho, meu filho!

Autora: Maria Dolores
 

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

NOVA BIOGRAFIA

Hoje foi postada a biografia do mês de Novembro de 2020 na coluna "Grandes Nomes do Espiritismo" em homenagem a JOÃO AUGUSTO DE OLIVEIRA.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

JESUS E OS AMIGOS

“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a vida pelos seus amigos.” Jesus (JOÃO, 15: 13)

Na localização histórica do Cristo, impressiona-nos a realidade de sua imensa afeição pela Humanidade.

Pelos homens, fez tudo o que era possível em renúncia e dedicação.

Seus atos foram celebrados em assembleias de confraternização e de amor.

A primeira manifestação de seu apostolado verificou-se na festa jubilosa de um lar.

Fez companhia aos publicanos, sentiu sede da perfeita compreensão de seus discípulos. Era amigo fiel dos necessitados que se socorriam de suas virtudes imortais. Através das lições evangélicas, nota­se­lhe o esforço para ser entendido em sua infinita capacidade de amar. A última ceia representa uma paisagem completa de afetividade integral. Lava os pés aos discípulos, ora pela felicidade de cada um...

Entretanto, ao primeiro embate com as forças destruidoras, experimenta o Mestre o supremo abandono.

Em vão, seus olhos procuram a multidão dos afeiçoados, beneficiados e seguidores.

Os leprosos e cegos, curados por suas mãos, haviam desaparecido.

Judas entregou-o com um beijo.

Simão, que lhe gozara a convivência doméstica, negou­o três vezes.

João e Tiago dormiram no Horto.

Os demais preferiram estacionar em acordos apressados com as acusações injustas. Mesmo depois da Ressurreição, Tomé exigiu-lhe sinais.

Quando estiveres na “porta estreita”, dilatando as conquistas da vida eterna, irás também só. Não aguardes teus amigos. Não te compreenderiam; no entanto, não deixes de amá-los. São crianças. E toda criança teme e exige muito.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 86 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
Fonte da imagem: Internet Google.
 

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

TESTEMUNHO

“Respondeu-lhe Jesus: — Dizes isso de ti mesmo ou foram outros que te disseram de mim?” (JOÃO, 18: 34)

A pergunta do Cristo a Pilatos tem significação mais extensiva.

Compreendemo-la, aplicada às nossas experiências religiosas.

Quando encaramos no Mestre a personalidade do Salvador, por que o afirmamos? Estaremos agindo como discos fonográficos, na repetição pura e simples de palavras ouvidas?

É necessário conhecer o motivo pelo qual atribuímos títulos amoráveis e respeitosos ao Senhor. Não basta redizer encantadoras lições dos outros, mas viver substancialmente a experiência íntima na fidelidade ao programa divino.

Quando alguém se refere nominalmente a um homem, esse homem pode indagar quanto às origens da referência.

Jesus não é símbolo legendário; é um Mestre Vivo.

As preocupações superficiais do mundo chegam, educam o espírito e passam, mas a experiência religiosa permanece.

Nesse capítulo, portanto, é ilógico recorrermos, sistematicamente, aos patrimônios alheios.

É útil a todo aprendiz testificar de si mesmo, iluminar o coração com os ensinos do Cristo, observar-lhe a influência excelsa nos dias tranquilos e nos tormentosos.

Reconheçamos, pois, atitude louvável no esforço do homem que se inspira na exemplificação dos discípulos fiéis; contudo, não nos esqueçamos de que é contraproducente repousarmos em edificações que não nos pertencem, olvidando o serviço que nos é próprio.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 85 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
Fonte da imagem: Internet Google.
 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

LEVANTEMO-­NOS

“Levantai-vos, vamo-nos daqui.” Jesus (JOÃO, 14: 31)

Antes de retirar-se para as orações supremas no Horto, falou Jesus aos discípulos longamente, esclarecendo o sentido profundo de sua exemplificação.

Relacionando seus pensamentos sublimes, fez o formoso convite inserto no Evangelho de João:

— “Levantai-vos, vamo-nos daqui.”

O apelo é altamente significativo.

Ao toque de erguer-se, o homem do mundo costuma procurar o movimento das vitórias fáceis, atirando-se à luta sequioso de supremacia ou trocando de domicilio, na expectativa de melhoria efêmera.

Com Jesus, entretanto, ocorreu o contrário.

Levantou-se para ser dilacerado, logo após, pelo gesto de Judas.

Distanciou-se do local em que se achava a fim de alcançar, pouco depois, a flagelação e a morte.

Naturalmente partiu para o glorioso destino de reencontro com o Pai, mas precisamos destacar as escalas da viagem...

Ergueu-se e saiu, em busca da glória suprema. As estações de marcha são eminentemente educativas:

— Getsêmani, o Cárcere, o Pretório, a Via Dolorosa, o Calvário, a Cruz constituem pontos de observação muito interessantes, mormente na atualidade, que apresenta inúmeros cristãos aguardando a possibilidade da viagem sobre as almofadas de luxo do menor esforço.

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 84 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.
Fonte da imagem: Internet Google.

 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

AFLIÇÕES

“Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições do Cristo.” (I PEDRO, 4: 13)


É inegável que em vosso aprendizado terrestre atravessareis dias de inverno ríspido, em que será indispensável recorrer às provisões armazenadas no íntimo, nas colheitas dos dias de equilíbrio e abundância.


Contemplareis o mundo, na desilusão de amigos muito amados, como templo em ruínas, sob os embates de tormenta cruel.


As esperanças feneceram distantes, os sonhos permanecem pisados pelos ingratos. Os afeiçoados desapareceram, uns pela indiferença, outros porque preferiram a integração no quadro dos interesses fugitivos do plano material.


Quando surgir um dia assim em vossos horizontes, compelindo-vos à inquietação e à amargura, certo não vos será proibido chorar. Entretanto, é necessário não esquecerdes a divina companhia do Senhor Jesus.


Supondes, acaso, que o Mestre dos Mestres habita uma esfera inacessível ao pensamento dos homens? julgais, porventura, não receba o Salvador ingratidões e apodos, por parte das criaturas humanas, diariamente? Antes de conhecermos o alheio mal que nos aflige, Ele conhecia o nosso e sofria pelos nossos erros.


Não olvidemos, portanto, que, nas aflições, é imprescindível tomar-lhe a sublime companhia e prosseguir avante com a sua serenidade e seu bom ânimo.


Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 83 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.

Fonte da imagem: Internet Google.

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

118 ABORRECER PAI E MÃE

O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO

Cap. 23 - MORAL ESTRANHA

1. Como nas suas pegadas caminhasse grande massa de povo, Jesus, voltando-se, disse-lhes: - Se alguém vem a mim e não odeia a seu pai e a sua mãe, a sua mulher e a seus filhos, a seus irmãos e irmãs, mesmo a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. E quem quer que não carregue a sua cruz e me siga, não pode ser meu discípulo. 
Assim, aquele dentre vós que não renunciar a tudo o que tem não pode ser meu discípulo. (S. LUCAS, cap. XIV, vv. 25 a 27 e 33.)

2. Aquele que ama a seu pai ou a sua mãe, mais do que a mim, de mim não é digno; aquele que ama a seu filho ou a sua filha, mais do que a mim, de mim não é digno. (S. MATEUS, cap. X, v. 37.)

3. Certas palavras, aliás, muito raras, atribuídas ao Cristo, fazem tão singular contraste com o seu modo habitual de falar que, instintivamente, se lhes repele o sentido literal, sem que a sublimidade da sua doutrina sofra qualquer dano. Escritas depois de sua morte, pois que nenhum dos Evangelhos foi redigido enquanto ele vivia lícito é acreditar-se que, em casos como este, o fundo do seu pensamento não foi bem expresso, ou, o que não é menos provável, o sentido primitivo, passando de uma língua para outra, há de ter experimentado alguma alteração. Basta que um erro se haja cometido uma vez, para que os copiadores o tenham repetido, como se dá frequentemente com relação aos fatos históricos.

O termo odiar, nesta frase de S. Lucas: Se alguém vem a mim e não odeia a seu pai e a sua mãe, está compreendido nessa hipótese. A ninguém acudirá atribuí-la a Jesus. Será então supérfluo discuti-la e, ainda menos, tentar justificá-la. Importaria primeiro, saber se ele a pronunciou e, em caso afirmativo, se, na língua em que se exprimia, a palavra em questão tinha o mesmo valor que na nossa. Nesta passagem de S. João: "Aquele que odeia sua vida, neste mundo, a conserva para a vida eterna", é indubitável que ela não exprime a ideia que lhe atribuímos.

A língua hebraica não era rica e continha muitas palavras com várias significações. Tal, por exemplo, a que no Gênese, designa as fases da criação: servia, simultaneamente, para exprimir um período qualquer de tempo e a revolução diurna. Daí, mais tarde, a sua tradução pelo termo dia e a crença de que o mundo foi obra de seis vezes vinte e quatro horas. Tal, também, a palavra com que se designava um camelo e um cabo, uma vez que os cabos eram feitos de pelos de camelo. Daí o haverem-na traduzido pelo termo camelo, na alegoria do buraco de uma agulha.

Fonte da imagem: Internet Google.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Dar de Si Mesmo

Laurinha, embora contasse apenas oito anos de idade, tinha um coração generoso e muito desejoso de ajudar as outras pessoas.

 

Certo dia, na aula de Evangelização Infantil que frequentava, ouvira a professora, explicando a mensagem de Jesus, falar da importância de se fazer caridade, e Laurinha pôs-se a pensar no que ela, ainda tão pequena, poderia fazer de bom para alguém.

 

Pensou... pensou... e resolveu:

 

— Já sei! Vou dar dinheiro a algum necessitado.

 

Satisfeita com sua decisão, procurou entre as coisas de sua mãe e achou uma linda moeda.

 

Vendo Laurinha com dinheiro na mão e encaminhando-se para a porta da rua, a mãe quis saber aonde ela ia. Contente por estar tentando fazer uma boa ação, a menina respondeu:

 

– Vou dar este dinheiro a um mendigo!

 

A mãezinha, contudo, considerou:

 

– Minha filha, esta moeda é minha e você não pode dá-la a ninguém porque não lhe pertence!

 

Sem graça, a garota devolveu a moeda à mãe e foi para a sala, pensando...

 

– Bem, se não posso dar dinheiro, o que poderei dar?

 

Meditando, olhou distraída para a estante de livros e uma ideia surgiu:

 

– Já sei! A professora sempre diz que o livro é um tesouro e que traz muitos benefícios para quem o lê.

 

Eufórica por ter decidido, apanhou na estante um livro que lhe pareceu interessante, e já ia saindo da sala quando o pai, que lia o jornal acomodado na poltrona preferida, a interrogou:

 

– O que você vai fazer com esse livro, minha filha?

 

Laurinha estufou o peito e informou:

 

– Vou dá-lo a alguém!

 

Com serenidade, o pai tomou o livro da filha, afirmando:

 

– Este livro não é seu, Laurinha. É meu, e você não pode dá-lo para ninguém.

 

Tremendamente desapontada, Laurinha resolveu dar uma volta, Estava triste, suas tentativas para fazer a caridade não tinham tido bom êxito e, caminhando pela rua, continha as lágrimas que teimavam em cair.

 

– Não é justo! – resmungava. – Quero fazer o bem e meus pais não deixam!

 

Nisso, ela viu uma colega da escola sentada num banco da pracinha. A menina parecia tão triste e desanimada que Laurinha esqueceu o problema que tanto a afligia.

 

Aproximando-se, perguntou gentil:

 

– O que você tem, Raquel?

 

A outra, levantando a cabeça e vendo Laurinha a seu lado, desabafou:

 

– Estou chateada, Laurinha, porque minhas notas estão péssimas. Não consigo aprender a fazer contas de dividir, não sei tabuadas e tenho ido muito mal nas provas de matemática. Desse jeito, vou acabar perdendo o ano. Já não bastam as dificuldades que temos em casa, agora meus pais vão ficar preocupados comigo também.

 

Laurinha respirou, aliviada:

 

– Ah! Bom, se for por isso, não precisa ficar triste. Quanto aos outros problemas, não sei. Mas, em relação à matemática, felizmente, não tenho dificuldades e posso ajudá-la. Vamos até a sua casa e tentarei ensinar a você o que sei.

 

Mais animada, Raquel conduziu Laurinha até a sua casa, situada num bairro distante e pobre. Ficaram a tarde toda estudando.

 

Quando terminaram, satisfeita, Raquel não sabia como agradecer à amiga.

 

– Laurinha, eu aprendi direitinho o que você ensinou. Não imagina como foi bom tê-la encontrado naquela hora e o bem que você me fez hoje. Confesso que não tinha grande simpatia por você. Achava-a orgulhosa, metida, e vejo que não é nada disso. É muito legal e uma grande amiga. Valeu.

 

Sentindo grande sensação de bem-estar, Laurinha compreendeu a alegria de fazer o bem. Quando menos esperava, sem dar nada material, percebia que realmente tinha ajudado alguém.

 

Despediram-se, prometendo-se mutuamente continuarem a estudar juntas.

 

Retornando para casa, Laurinha contou à mãe o que fizera, comentando:

 

– A casa de Raquel é muito pobre, mamãe; acho que estão necessitando de ajuda. Gostaria de poder fazer alguma coisa por ela. Posso dar-lhe algumas roupas que não me servem mais? – perguntou, algo temerosa, lembrando-se das “broncas” que levara algumas horas antes.

 

A senhora abraçou a filha, satisfeita:

 

– Estou muito orgulhosa de você, Laurinha. Agiu verdadeiramente como cristã, ensinando o que sabia. Quanto às roupas, são “suas” e poderá fazer com elas o que achar melhor.

 

Laurinha arregalou os olhos, sorrindo feliz e, afinal, compreendendo o sentido da caridade.

 

– É verdade, mamãe. São minhas! Amanhã mesmo levarei para Raquel. E também alguns sapatos, um par de tênis e uns livros de histórias que já li.

 

Célia Xavier Camargo

Fonte da imagem: Internet Google.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Pai Sempre

Alguém te disse, alma querida e boa,

Que os Espíritos Nobres

Nunca se valem de pessoa

Claramente imperfeita

Em tarefas de amor à Humanidade...

 

Por isso mesmo o escrúpulo te invade

E, receando a própria imperfeição,

Foges do privilégio de servir

Em que o Senhor te pede trabalhar

A fim de conquistar

O Celeste Porvir...

 

Reflitamos, no entanto,

Entre simples lições da Natureza:

A semente germina em lauréis de esperança,

Muita vez sob a lama asco rosa e indefesa;

A fonte não seria exemplo de bondade

Em que a vida enxameia,

Se recusasse deslizar

Sobre tratos de terra e lâminas de areia...

 

Olha as flores do charco

Embalsamando campos e caminhos,

A rosa não desdenha florescer

Entre punhais de espinhos...

 

Pensa ainda conosco

Nas fraquezas e lágrimas que levas.

O Sol seria o Sol

Se fugisse das trevas?

Esquece pessimismo, acusação, censura,

Nada te desanime, ergue-te e vem...

 

Conquanto enferma e rude, mesmo assim,

Se te encontras na sombra, avança para a luz,

Sem desertar, porém, de servir com Jesus!

Vem cooperar no amor que devemos ao mundo

E entenderás, por fim,

Que só se vence o mal pelo serviço ao Bem

E que a bênção de Deus jamais nos desampara

Nem despreza a ninguém.

Autora: Maria Dolores

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

MADEIROS SECOS

“Porque, se ao madeiro verde fazem isto, que se fará ao seco?” Jesus (LUCAS, 23: 31)

 

Jesus é a videira eterna, cheia de seiva divina, espalhando ramos fartos, perfumes consoladores e frutos substanciosos entre os homens, e o mundo não lhe ofereceu senão a cruz da flagelação e da morte infamante.

 

Desde milênios remotos é o Salvador, o puro por excelência.

 

Que não devemos esperar, por nossa vez, criaturas endividadas que somos, representando galhos ainda secos na árvore da vida?

 

Em cada experiência, necessitamos de processos novos no serviço de reparação e corrigenda.

 

Somos madeiros sem vida própria, que as paixões humanas inutilizaram, em sua fúria destruidora.

 

Os homens do campo metem a vara punitiva nos pessegueiros, quando suas frondes raquíticas não produzem. O efeito é benéfico e compensador.

 

O martírio do Cristo ultrapassou os limites de nossa imaginação. Como tronco sublime da vida, sofreu por desejar transmitir-nos sua seiva fecundante.

 

Como lenhos ressequidos, ao calor do mal, sofremos por necessidade, em favor de nós mesmos.

 

O mundo organizou a tragédia da cruz para o Mestre, por espírito de maldade e ingratidão; mas, nós outros, se temos cruzes na senda redentora, não é porque Deus seja rigoroso na execução de suas leis, mas por ser Amoroso Pai de nossas almas, cheio de sabedoria e compaixão nos processos educativos.

 

Livro: Caminho, Verdade e Vida, lição 82 – Médium: Chico Xavier – Espírito: Emmanuel.

Fonte da imagem: Internet Google.

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Ouve Coração

Perguntas, coração,

Como sanar as dores sem medida,

De que modo enxugar a lágrima incontida

Sob nuvens de fel e de pesar!...

Recordemos o chão...

Quando o lodo ameaça uma estrada indefesa,

Em cada canto roga a Natureza:

Trabalhar, trabalhar.

 

Fita o aguaceiro que se fez tormenta.

Ao granizo que estala, o vento insulta;

Seio de mágoas que se desoculta,

A terra, em torno, geme a desvairar...

Mas, finda a longa crise turbulenta,

Sobre teto quebrado, pedra e lama,

Renasce a paz do céu que vibra e chama:

Trabalhar, trabalhar.

 

Ressurge, inalterado, o sol risonho,

Não pergunta se o mal ganhou no mundo

A tudo abraça em seu amor profundo,

A criar e a brilhar!

Recebe cada flor um novo sonho,

Cada tronco uma bênção, cada ninho

Canta para quem passa no caminho:

Trabalhar, trabalhar.

 

Assim também, nas horas de amargura,

Enquanto a sombra ruge ou desgoverna,

Pensa na glória da Bondade Eterna,

Acende a luz da prece tutelar!

E vencerás tristeza e desventura,

Obedecendo à voz de Deus na vida

Que te pede em silêncio, à alma ferida:

Trabalhar, trabalhar.

 

Autora: Maria Dolores